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Exequente no Processo de Execução: Entenda Seu Papel e Como Fazer Valer Seus Direitos

Equipe SolucioneAqui
7 de dezembro de 2025
8 min de leitura
Balance scales on a desk in a professional office with a blurred businesswoman in the background.
Foto: KATRIN BOLOVTSOVA/Pexels

Principais Pontos

  • O exequente é a parte ativa no processo de execução, buscando o cumprimento forçado de uma obrigação não satisfeita voluntariamente.
  • A execução é iniciada com base em um Título Executivo (judicial ou extrajudicial) que deve ser certo, líquido e exigível.
  • O exequente atua indicando bens para penhora e impulsionando o processo, podendo enfrentar desafios como a ausência de bens do executado.
  • A inércia do exequente pode levar à prescrição intercorrente, extinguindo a dívida.
  • O acompanhamento de um advogado especializado é fundamental para navegar pela complexidade do processo e garantir a efetividade da execução.

Aviso Legal: Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica profissional. Consulte um advogado para seu caso específico.

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Você tem um direito reconhecido – seja por uma decisão judicial ou um contrato não cumprido – mas a obrigação ainda não foi satisfeita? Essa sensação de impotência pode ser frustrante. Muitas pessoas desconhecem o caminho legal para transformar um direito "no papel" em realidade, garantindo o cumprimento da obrigação. É nesse ponto que surge uma figura crucial: o exequente. Este artigo vai desmistificar o papel do exequente, explicando quem ele é, como atua e quais são as ferramentas legais à sua disposição para buscar a satisfação de seu crédito no processo de execução. Aprenda sobre títulos executivos, as ações do exequente, os desafios comuns e a importância de um acompanhamento jurídico especializado.

Exequente: O Pilar do Cumprimento Forçado de Obrigações

Quem é o Exequente? Desvendando o Credor Ativo

No complexo universo jurídico, o exequente se destaca como a força motriz do processo de execução. Ele é, em essência, a parte ativa que toma a iniciativa de acionar o Judiciário para que uma obrigação previamente estabelecida – e que não foi cumprida voluntariamente – seja finalmente satisfeita. Podemos nos referir a ele também como credor ou demandante, sempre no contexto de buscar a efetivação de um direito já reconhecido. Esse direito pode ter origem em uma sentença judicial, um contrato, um cheque, entre outros documentos que a lei confere força executiva. Seja pessoa física ou jurídica, o objetivo do exequente é único: ver sua pretensão atendida por meio da intervenção estatal.

A Diferença Crucial: Exequente x Réu x Executado

Para entender melhor o papel do exequente, é fundamental distinguir as partes envolvidas nas diferentes fases de um processo judicial:

  • Réu: É a parte demandada na fase de conhecimento (também chamada de fase de cognição. Nesta etapa, discute-se a existência, a validade e a extensão de um direito. O réu se defende das alegações do autor (quem iniciou o processo de conhecimento.
  • Executado: É a parte passiva na fase de execução. Uma vez que o direito foi reconhecido (seja por uma sentença ou por um título extrajudicial e a obrigação não foi cumprida espontaneamente, o executado é quem tem o dever de satisfazer essa obrigação, geralmente pagar uma quantia, fazer algo, deixar de fazer algo ou entregar uma coisa.
  • Exequente: Como vimos, é a parte ativa na fase de execução. É ele quem impulsiona o processo para cobrar o que lhe é devido do executado.

Exemplo prático: Imagine que João emprestou dinheiro a Pedro e Pedro não pagou. Se João entra com uma ação de cobranra para que o juiz reconheça a dívida, Pedro é o réu. Se o juiz dá razão a João e Pedro continua sem pagar, João se torna o exequente e Pedro o executado no processo de execução que se segue para forçar o pagamento.

O Título Executivo: A Chave para Dar Início à Execução

O Que Torna uma Dívida "Executável"?

Não basta ter uma dívida ou um acordo no papel; para iniciar um processo de execução, é imprescindível possuir um título executivo. Este documento é a prova formal da existência de uma obrigação e confere ao exequente o direito de acionar o Judiciário para seu cumprimento forçado. As características essenciais que um título executivo deve possuir são:

  • Certo: Deve expressar a existência da obrigação de forma indubitável.
  • Líquido: O valor da obrigação deve ser determinado ou facilmente determinável (ex: uma quantia em dinheiro, a quantidade de um bem.
  • Exigível: A obrigação deve estar vencida, ou seja, o prazo para cumprimento já expirou e a condição para o seu pagamento já se realizou.

Tipos de Títulos Executivos:

Os títulos executivos são classificados em duas grandes categorias:

  • Judiciais: São aqueles que surgem de decisões proferidas pelo próprio Poder Judiciário ou por órgãos a ele equiparados, em processos que já passaram pela fase de conhecimento. Exemplos incluem:
    • Sentenças condenatórias transitadas em julgado (quando não cabe mais recurso.
    • Decisões homologatórias de acordos extrajudiciais.
    • Sentenças arbitrais (emitidas por um tribunal arbitral.
    • Formal de partilha.
  • Extrajudiciais: São documentos que, por expressa previsão legal, já possuem força executiva, dispensando a necessidade de uma fase prévia de conhecimento para reconhecimento da dívida. Alguns exemplos comuns são:
    • Cheque, nota promissória, duplicata, letra de câmbio.
    • Contratos de aluguel.
    • Documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas.
    • Cédula de Crédito Bancário.

Como o Exequente Atua na Prática: As Mãos que Movem o Processo

Da Petição Inicial às Medidas de Constrição (Penhora

Uma vez munido do título executivo e com a assistência de um advogado, o exequente inicia sua atuação na prática:

  1. Petição Inicial: É o primeiro passo, onde o exequente, por meio de seu advogado, apresenta o título executivo ao juiz, demonstrando a dívida e solicitando o início da execução.
  2. Citação do Executado: O executado é citado para, geralmente, pagar a dívida no prazo legal (3 dias úteis para títulos extrajudiciais, Art. 829 CPC) ou apresentar sua defesa (embargos à execução.
  3. Localização e Bloqueio de Bens: Se o pagamento não for realizado, o exequente solicitará ao juiz medidas para localizar e bloquear bens do executado que possam garantir o pagamento. As ferramentas mais comuns são:
    • BacenJud/Sisbajud: Bloqueio de valores em contas bancárias.
    • Renajud: Bloqueio de veículos.
    • Infojud: Acesso a declarações de imposto de renda para identificar patrimônio.
    • Arisp/Sistec: Busca de imóveis registrados.
  4. Indicação de Bens e Penhora: O exequente pode indicar bens do executado que conhece (imóveis, veículos, joias, obras de arte, etc.) para serem penhorados. A penhora é a constrição judicial de bens que garante a dívida.
  5. Avaliação e Leilão: Após a penhora, os bens são avaliados e, se necessário, levados a leilão público para que o valor arrecadado seja utilizado para quitar a dívida.

É importante mencionar que existem diferentes tipos de execução, conforme a natureza da obrigação: execução para pagamento de quantia certa, para entrega de coisa, para fazer ou não fazer.

Prazos e Negociações: A Dinâmica da Execução

O processo de execução não é estático e envolve prazos e oportunidades de acordo:

  • Prazo do Executado para Pagamento: Conforme o Art. 829 do Código de Processo Civil (CPC, ao ser citado em uma execução de título extrajudicial, o executado tem um prazo de 3 dias úteis para efetuar o pagamento voluntário da dívida, sob pena de ter seus bens penhorados. Na execução de título judicial (cumprimento de sentença, o prazo para pagamento voluntário é de 15 dias (Art. 523 CPC, sob pena de incidência de multa e honorários.
  • Possibilidade de Acordo: Mesmo após o início da execução, as partes podem, a qualquer momento, tentar uma negociação. O exequente pode propor um parcelamento da dívida, um desconto ou outras condições que se mostrem vantajosas para ambas as partes. Qualquer acordo deve ser homologado judicialmente para ter validade e força legal.
  • O que acontece se o exequente não se manifestar? A inércia do exequente pode trazer sérias consequências. Se ele deixar de impulsionar o processo por um longo período sem justificativa, pode ocorrer a suspensão do processo e, posteriormente, a prescrição intercorrente, que levará à extinção da execução sem que a dívida tenha sido satisfeita.

Desafios Comuns e Como o Exequente Pode Superá-los

Executado Sem Bens: Suspensão e Reativação do Processo

Um dos maiores desafios é a situação em que não são encontrados bens penhoráveis do executado. Nesses casos, o Código de Processo Civil (Art. 921, §4º, CPC prevê a suspensão da execução por um período de até 5 anos. Durante esse tempo, o processo fica 'dormindo' no aguardo de que o exequente descubra novos bens. Se, dentro desse prazo, novos bens forem descobertos, o exequente pode solicitar a reativação do processo e a continuação das diligências para a penhora. É crucial que o exequente mantenha-se vigilante e continue pesquisando o patrimônio do executado.

A Inércia do Exequente: O Perigo da Prescrição Intercorrente

A suspensão do processo devido à ausência de bens não isenta o exequente de responsabilidades. Se, após o prazo de suspensão, o exequente permanecer inerte e não promover as diligências necessárias para o andamento do processo (por exemplo, buscando novas informações sobre o patrimônio do devedor, o prazo de prescrição da dívida pode voltar a correr. Este fenômeno é conhecido como prescrição intercorrente. A consequência é grave: a dívida pode prescrever, levando à extinção da execução sem que o exequente tenha seu crédito satisfeito. Manter o processo ativo e demonstrar diligência é fundamental.

Custos do Processo de Execução: Quem Paga a Conta?

Iniciar e manter um processo de execução envolve custos. Inicialmente, o exequente é responsável pelo pagamento das custas judiciais (taxas para o trâmite do processo e dos honorários advocatícios de seu próprio procurador. No entanto, em caso de sucesso da execução, a lei prevê que essas despesas, bem como os honorários de sucumbência (pagos pela parte perdedora ao advogado da parte vencedora, sejam acrescidos ao valor da dívida e cobrados do executado. Assim, ao final, o executado arca com os custos da sua inadimplência e do processo judicial.

Responsabilidade por Danos: Um Alerta Necessário ao Exequente

Embora raro, o exequente deve estar ciente de que pode ser responsabilizado por danos causados ao executado caso a execução seja considerada indevida. Isso ocorre, por exemplo, se a obrigação que fundamentou a execução for posteriormente declarada inexistente ou nula por uma sentença transitada em julgado. Nestes cenários, o executado, que sofreu a constrição de seus bens injustamente, pode pleitear uma indenização por perdas e danos. Este alerta reforça a necessidade de ter um título executivo sólido e de agir com cautela e responsabilidade durante todo o processo.

O Advogado: Seu Aliado Essencial no Processo de Execução

Diante da complexidade e dos desafios inerentes ao processo de execução, a figura do advogado se torna não apenas importante, mas indispensável. Ele será o seu principal aliado, oferecendo:

  • Orientação Jurídica Especializada: Esclarecendo seus direitos, deveres, as nuances da lei e as melhores estratégias a seguir.
  • Definição de Estratégias Eficazes: Auxiliando na identificação de bens do executado, na escolha das medidas coercitivas mais adequadas e na elaboração de um plano de ação robusto.
  • Representação Legal Completa: Responsável pela elaboração de todas as peças processuais, pelo acompanhamento minucioso de prazos e pela sua representação em audiências.
  • Habilidade em Negociações: Atuando como intermediador em eventuais acordos com o executado, buscando a melhor solução para a satisfação do seu crédito.
  • Garantia de Direitos: Assegurando que o processo transcorra dentro dos limites legais, protegendo os interesses do exequente e buscando a máxima efetividade na recuperação do crédito.

Conclusão

O exequente é muito mais do que um simples credor; é o motor que impulsiona a justiça na fase de execução, buscando a concretização de um direito já estabelecido. Sua atuação ativa e estratégica é fundamental para que a obrigação seja cumprida e o direito seja efetivado. Dada a complexidade dos procedimentos, prazos e os desafios que podem surgir – como a busca por bens ou a ameaça da prescrição intercorrente – contar com um acompanhamento jurídico especializado não é apenas recomendável, mas essencial para garantir o sucesso da sua execução e a satisfação do seu crédito.

Perguntas Frequentes

Quem é o exequente em um processo judicial?
O exequente é a parte ativa que busca o cumprimento forçado de uma obrigação (como o pagamento de uma dívida) que já foi reconhecida por um título executivo e não foi cumprida voluntariamente pelo executado.
Qual a diferença entre réu, executado e exequente?
O réu é a parte passiva na fase de conhecimento (onde se discute o direito); o executado é a parte passiva na fase de execução (quem deve cumprir a obrigação); e o exequente é a parte ativa na fase de execução (quem cobra a obrigação).
O que é um título executivo e por que ele é importante?
O título executivo é um documento (judicial como uma sentença ou extrajudicial como um cheque) que comprova uma obrigação certa, líquida e exigível. Ele é a chave para iniciar o processo de execução, pois confere força legal para a cobrança forçada.
O que acontece se o executado não tiver bens para penhorar?
Se não forem encontrados bens penhoráveis, o processo pode ser suspenso por até 5 anos. Durante esse período, o exequente pode buscar novos bens para reativar a execução.
Por que é essencial ter um advogado no processo de execução?
Um advogado é essencial para orientar o exequente sobre seus direitos, definir estratégias de cobrança, elaborar peças processuais, acompanhar prazos e negociar acordos, garantindo a legalidade e efetividade do processo e protegendo os interesses do exequente.

Fontes e Referências

Este artigo foi pesquisado e verificado usando as seguintes fontes oficiais:

  1. vlvadvogados.com
  2. advbox.com.br
  3. antoniaximenes.com
  4. ambitojuridico.com.br
  5. significados.com.br
  6. aurum.com.br
  7. mutuus.net
  8. geradv.com.br
  9. cnj.jus.br
  10. vlvadvogados.com
  11. advogadoriodejaneiro.com
  12. tjdft.jus.br
  13. europa.eu
  14. juridico.ai
  15. novocpc.org
  16. puc-rio.br
  17. migalhas.com.br
  18. migalhas.com.br
  19. trt4.jus.br
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