Direito de Família

Reconhecimento de União Estável: Guia Completo para Garantir Seus Direitos e o Futuro da Sua Família

Equipe SolucioneAqui
2 de janeiro de 2026
9 min de leitura
Balance scales on a desk in a professional office with a blurred businesswoman in the background.
Foto: KATRIN BOLOVTSOVA/Pexels

Principais Pontos

  • A união estável é reconhecida por lei como entidade familiar (CF e Código Civil), garantindo direitos equivalentes aos do casamento, mas exige formalização para plena segurança jurídica.
  • Os pilares da união estável são publicidade, continuidade, durabilidade e intenção de constituir família, sem tempo mínimo, exigência de coabitação ou filhos.
  • É possível formalizar a união extrajudicialmente (em cartório, via Escritura Pública ou Contrato Particular) ou judicialmente (em casos de discordância ou necessidade de provas).
  • A Escritura Pública em Cartório de Notas é a forma mais recomendada e simples para casais em consenso, exigindo documentos de identificação, certidões de estado civil e comprovante de residência.
  • O reconhecimento da união estável protege direitos patrimoniais, sucessórios (herança) e previdenciários (pensão por morte), além de permitir a escolha do regime de bens.

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Introdução: O Amor É a Base, a Formalização É o Alimento da Segurança!

Você e seu parceiro(a) construíram uma vida juntos, dividem sonhos, responsabilidades e um amor que forma um lar? Essa é a essência de uma União Estável! No entanto, muitas pessoas vivem essa linda realidade sem a devida segurança jurídica, deixando os companheiros vulneráveis em momentos cruciais. A falta de formalização pode gerar incertezas sobre bens, herança, pensão e até mesmo a condição de dependente.

O "Reconhecimento de União Estável" é o passo fundamental para blindar sua relação, proteger seus direitos e garantir a tranquilidade de quem você ama. Neste guia completo, vamos desvendar o que é a união estável, quais documentos são necessários, o passo a passo para formalizá-la e as respostas para as suas principais dúvidas. Prepare-se para dar um futuro mais seguro à sua história de amor!

União Estável: Entenda o Que É e Por Que Formalizá-la

O Conceito de União Estável na Lei Brasileira: Uma Família para Todos os Efeitos

A união estável é uma relação de convivência entre duas pessoas, configurada na convivência pública, contínua e duradoura, e estabelecida com o objetivo de constituição de família. Essa definição está prevista tanto na Constituição Federal (Art. 226, §3º) quanto no Código Civil Brasileiro (Art. 1.723), garantindo a ela o status de entidade familiar.

É importante desmistificar alguns mitos: não há um tempo mínimo de convivência exigido por lei, nem a obrigatoriedade de morar sob o mesmo teto (coabitação) ou de ter filhos em comum para que a união seja configurada. O que realmente importa são os 4 pilares da união estável:

  • Publicidade: A relação é conhecida por amigos, familiares e na comunidade, como se fosse um casamento.
  • Continuidade: A convivência é ininterrupta, sem idas e vindas que demonstrem instabilidade.
  • Durabilidade: A relação não é passageira, mas sim construída para perdurar no tempo.
  • Intenção de Constituir Família (affectio maritalis): O principal pilar, que demonstra o propósito de formar uma família, com compromisso mútuo e divisão de vida.

As Diferenças Cruciais entre União Estável e Casamento: Semelhantes, Mas Não Idênticos

Embora a união estável garanta praticamente os mesmos direitos do casamento, existem algumas diferenças práticas:

  • Estado civil: Ao se casar, o estado civil muda para "casado". Na união estável, o estado civil dos companheiros permanece o anterior (solteiro, divorciado ou viúvo), embora eles sejam legalmente reconhecidos como "companheiros" para todos os efeitos.
  • Formalidade: O casamento exige uma cerimônia civil (e, opcionalmente, religiosa) perante um juiz de paz e em livro de registro. A união estável oferece mais flexibilidade em sua formalização, que pode ser feita por escritura pública, contrato particular ou até mesmo provada judicialmente pela convivência.

Apesar dessas distinções, é fundamental ressaltar: tanto o casamento quanto a união estável garantem direitos e deveres familiares equivalentes. O que muda é a forma de reconhecimento.

Proteja Seu Futuro: Direitos Garantidos pelo Reconhecimento da União Estável

Formalizar sua união estável é como construir uma base sólida para a casa que vocês já moram. Garante:

  • Direitos Patrimoniais: Em caso de separação, a partilha de bens adquiridos onerosamente durante a união (se não houver outro regime de bens definido) segue as regras da comunhão parcial de bens. Facilita a aquisição conjunta de imóveis e outros bens.
  • Direitos Sucessórios: O companheiro(a) é herdeiro(a) legal em caso de falecimento do outro, concorrendo com os filhos e outros herdeiros necessários, conforme a legislação.
  • Direitos Previdenciários: Permite a inclusão do companheiro(a) como dependente para fins de pensão por morte e outros benefícios do INSS ou de previdência privada.
  • Outros benefícios: Facilita a inclusão em convênios de saúde, planos de previdência privada, empréstimos bancários e a declaração de imposto de renda conjunta, entre outras vantagens sociais e econômicas.

Regime de Bens na União Estável: O Que Você Precisa Saber e Escolher

Assim como no casamento, a união estável permite a escolha do regime de bens que regerá a relação patrimonial do casal. Se vocês não definirem um regime de bens, a lei automaticamente aplica a Comunhão Parcial de Bens. Isso significa que todos os bens adquiridos onerosamente (com esforço e dinheiro) durante a união serão considerados do casal e, em caso de término, serão partilhados igualmente.

No entanto, vocês têm total liberdade de escolha para definir outro regime de bens, como:

  • Comunhão Universal de Bens: Todos os bens, anteriores e posteriores à união, são do casal.
  • Separação Total de Bens: Cada companheiro mantém seu patrimônio individual, sem comunicação de bens.
  • Participação Final nos Aquestos: Durante a união, cada um administra seus bens, mas em caso de término, os bens adquiridos onerosamente pelo casal serão partilhados.

Para definir um regime de bens diferente da comunhão parcial, é essencial que essa escolha seja expressa na Escritura Pública de União Estável ou em um Contrato Particular, garantindo clareza e segurança jurídica.

Reconhecimento da União Estável: O Passo a Passo e os Documentos Necessários

Formalizar sua união estável pode ser mais simples do que você imagina. Existem duas vias principais:

Reconhecimento Extrajudicial em Cartório: A Opção Mais Rápida e Simples (para casais em consenso)

Esta é a forma mais ágil e recomendada para casais que estão em comum acordo sobre a existência da união e querem formalizá-la.

A Escritura Pública de União Estável: Segurança Jurídica com Fé Pública

A Escritura Pública de União Estável é um documento lavrado em Cartório de Notas, onde vocês declaram a existência da união, a data de início (se desejarem), o regime de bens e outras disposições que considerarem importantes. É a forma mais segura e recomendada de reconhecimento extrajudicial devido à sua fé pública, ou seja, o que está escrito no documento é presumido como verdadeiro perante a lei.

Vantagens: Facilidade, rapidez (o documento é emitido no mesmo dia ou em poucos dias), validade imediata, e dispensa de testemunhas (embora possam comparecer se desejarem).

Como proceder: Basta agendar um horário em qualquer Cartório de Notas de sua preferência e comparecer com os documentos necessários.

O Contrato Particular de União Estável: Uma Alternativa a Ser Registrada

É possível também elaborar um Contrato Particular de União Estável. Este documento pode ser feito pelo próprio casal ou com o auxílio de um advogado e deve ser assinado pelos companheiros e por duas testemunhas. Para ter validade contra terceiros e maior segurança, é fundamental que este contrato seja registrado em um Cartório de Títulos e Documentos.

Documentos Essenciais para o Reconhecimento em Cartório (Escritura Pública)

Prepare a seguinte documentação para levar ao Cartório de Notas:

  • Documentos de identificação de ambos os companheiros: RG e CPF (original e cópia simples).
  • Estado civil de ambos: A documentação varia conforme a situação:
    • Solteiros: Certidão de Nascimento atualizada (emitida há, no máximo, 90 dias).
    • Divorciados/Separados Judicialmente: Certidão de Casamento atualizada com a averbação do divórcio ou separação judicial (emitida há, no máximo, 90 dias).
    • Viúvos: Certidão de Casamento atualizada e Certidão de Óbito do ex-cônjuge.
  • Comprovante de residência atualizado (pode ser de um dos parceiros).

Reconhecimento Judicial: Quando a Justiça Precisa Intervir (em casos de discordância ou necessidades específicas)

Em algumas situações, o reconhecimento da união estável precisa ser feito por meio de um processo judicial. Nesses casos, a assistência de um advogado é obrigatória.

Situações Que Exigem o Processo Judicial

  • Quando um dos companheiros nega a existência da união e o outro precisa comprovar judicialmente.
  • Reconhecimento da União Estável após o falecimento de um dos companheiros, para que o sobrevivente possa ter acesso a direitos sucessórios e previdenciários.
  • Para fins previdenciários (INSS), sucessórios (herança) ou partilha de bens, quando não há um documento formal e é preciso comprovar a união.
  • Necessidade de retroatividade da data de início da união para abranger um período específico, por exemplo, para partilha de bens adquiridos antes da formalização extrajudicial.

Provas para Comprovar a União Estável Judicialmente (e até mesmo para cartório em caso de dúvidas)

Para comprovar a existência da união estável em juízo (ou mesmo para o cartório, se houver alguma dúvida na via extrajudicial), você precisará reunir o máximo de provas possíveis. Lembre-se, o objetivo é demonstrar a convivência pública, contínua, duradoura e com a intenção de constituir família. Algumas provas comuns incluem:

  • Certidão de nascimento de filhos em comum.
  • Declaração de Imposto de Renda conjunta ou com o parceiro como dependente.
  • Contas bancárias conjuntas, investimentos ou apólices de seguro com o companheiro(a) como beneficiário.
  • Comprovantes de mesmo domicílio (contas de consumo, correspondências no mesmo endereço).
  • Testemunhas (amigos, familiares, vizinhos, colegas de trabalho) que possam atestar a convivência como um casal.
  • Fotos, vídeos, postagens em redes sociais que demonstrem a vida em comum.
  • Contratos de aluguel em nome de ambos.
  • Planos de saúde ou clubes em que um é dependente do outro.
  • Disposições testamentárias que mencionem o companheiro(a).

Respostas para Suas Dúvidas Mais Frequentes sobre o Reconhecimento de União Estável (FAQ)

Preciso de Advogado para Reconhecer a União Estável?

Para o reconhecimento extrajudicial (via escritura pública em cartório), não é obrigatório ter um advogado se houver consenso entre os companheiros. No entanto, a consulta a um profissional é altamente recomendada para orientações sobre regime de bens e outros direitos. Para o reconhecimento judicial, ou em casos de litígio, filhos menores ou patrimônio complexo, a assistência de um advogado é essencial.

Qual o Custo para Formalizar a União Estável?

O custo para formalizar a união estável varia de estado para estado e de cartório para cartório, devido às custas e emolumentos. Uma Escritura Pública de União Estável pode custar, em média, de R$100,00 a R$500,00. Além disso, podem existir custos adicionais para emissão de certidões, reconhecimento de firmas e, se aplicável, honorários advocatícios. Pessoas consideradas hipossuficientes (com poucos recursos) podem buscar a formalização gratuita.

A União Estável Pode Ser Reconhecida Após o Falecimento de um Companheiro?

Sim, é totalmente possível e relativamente comum. O reconhecimento da união estável após o falecimento de um dos companheiros geralmente ocorre por meio de um processo judicial. Nesse caso, é crucial apresentar provas robustas da convivência pública, contínua e duradoura, com o objetivo de constituir família, para que a justiça reconheça a existência da união e os direitos do companheiro(a) sobrevivente, como herança e pensão.

Existe um Tempo Mínimo de Convivência para Configurar a União Estável?

Não existe um prazo mínimo definido por lei para que uma convivência seja considerada uma união estável. O Código Civil estabelece que a união deve ser uma convivência 'pública, contínua e duradoura, estabelecida com o objetivo de constituição de família'. Ou seja, o que importa é a intenção e a estabilidade da relação, e não um número fixo de meses ou anos. As provas de relacionamento são mais importantes do que o tempo de convivência.

Dê o Próximo Passo: Garanta a Segurança Jurídica da Sua União e Família

O reconhecimento da união estável é um ato de amor e responsabilidade, que transforma a informalidade em segurança jurídica. Ele protege não apenas os companheiros, mas também os filhos e o patrimônio construído juntos, evitando desgastes e conflitos futuros. Com um documento formal, você terá paz de espírito e a garantia de que seus direitos e os de seu parceiro(a) estão assegurados, em qualquer circunstância.

Perguntas Frequentes

Preciso de Advogado para Reconhecer a União Estável?
Para o reconhecimento extrajudicial (via escritura pública em cartório), não é obrigatório ter um advogado se houver consenso entre os companheiros. No entanto, a consulta a um profissional é altamente recomendada para orientações sobre regime de bens e outros direitos. Para o reconhecimento judicial, ou em casos de litígio, filhos menores ou patrimônio complexo, a assistência de um advogado é essencial.
Qual o Custo para Formalizar a União Estável?
O custo para formalizar a união estável varia de estado para estado e de cartório para cartório, devido às custas e emolumentos. Uma Escritura Pública de União Estável pode custar, em média, de R$100,00 a R$500,00. Além disso, podem existir custos adicionais para emissão de certidões, reconhecimento de firmas e, se aplicável, honorários advocatícios. Pessoas consideradas hipossuficientes (com poucos recursos) podem buscar a formalização gratuita.
A União Estável Pode Ser Reconhecida Após o Falecimento de um Companheiro?
Sim, é totalmente possível e relativamente comum. O reconhecimento da união estável após o falecimento de um dos companheiros geralmente ocorre por meio de um processo judicial. Nesse caso, é crucial apresentar provas robustas da convivência pública, contínua e duradoura, com o objetivo de constituir família, para que a justiça reconheça a existência da união e os direitos do companheiro(a) sobrevivente, como herança e pensão.
Existe um Tempo Mínimo de Convivência para Configurar a União Estável?
Não existe um prazo mínimo definido por lei para que uma convivência seja considerada uma união estável. O Código Civil estabelece que a união deve ser uma convivência 'pública, contínua e duradoura, estabelecida com o objetivo de constituição de família'. Ou seja, o que importa é a intenção e a estabilidade da relação, e não um número fixo de meses ou anos. As provas de relacionamento são mais importantes do que o tempo de convivência.
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