Direito de Família

Dissolução de União Estável: Como Fazer a Separação Passo a Passo

Equipe SolucioneAqui
2 de janeiro de 2026
10 min de leitura
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Foto: Andrea Piacquadio/Pexels

Principais Pontos

  • A dissolução da união estável pode ser feita de forma extrajudicial (em cartório) se houver consenso e, a partir da Resolução CNJ nº 571/2024, mesmo com filhos menores, desde que suas questões de guarda, visitas e alimentos já estejam resolvidas judicialmente.
  • Na falta de consenso ou com questões de filhos menores não resolvidas judicialmente, a via judicial é obrigatória.
  • A assistência de um advogado é indispensável em ambos os casos, garantindo a proteção dos direitos de ambos os companheiros.
  • Os pontos cruciais a definir são a partilha de bens (regime padrão é comunhão parcial), a guarda dos filhos (priorizando a compartilhada) e a pensão alimentícia (para filhos e, em casos específicos, para ex-companheiros).
  • Documentos como RG, CPF, comprovante de residência, certidões e provas da união estável são essenciais, além dos documentos de bens e filhos, se houver.

Analise Seu Caso Familiar

Verifique seus direitos em divórcio, guarda ou pensão alimentícia.

O fim de um relacionamento, mesmo que consensual, é um momento delicado, repleto de emoções e incertezas. Quando se trata de uma união estável, a complexidade pode ser ainda maior, especialmente ao lidar com questões legais e patrimoniais. Muitos casais se perguntam: como formalizar essa separação de forma legal e segura? Quais são os passos práticos? Preciso de um advogado? Como ficam os bens, os filhos e a pensão? Este guia completo foi criado para descomplicar a dissolução da união estável, oferecendo um passo a passo claro e todas as informações que você precisa para navegar por esse processo com mais tranquilidade e segurança jurídica. Entenda as opções disponíveis, os documentos necessários e as decisões cruciais que precisarão ser tomadas.

O Que é a Dissolução de União Estável e Por Que Formalizá-la?

União Estável: Conceito e Características

A união estável é uma forma de constituir família reconhecida pela Constituição Federal e pelo Código Civil Brasileiro. Ela se caracteriza pela convivência pública, contínua e duradoura, estabelecida com o objetivo de formar uma família. Diferente do casamento, a união estável não altera o estado civil das pessoas, ou seja, se você era solteiro(a), continua solteiro(a), mas vivendo em união estável.

A formalização da união estável, seja por escritura pública em cartório ou contrato particular, embora não seja obrigatória para sua existência, é extremamente recomendada. Ela confere segurança jurídica aos companheiros, definindo, por exemplo, o regime de bens e outras questões importantes para o casal. Isso evita futuras discussões e facilita a comprovação da união em diversas situações.

A Importância de Formalizar o Fim da Relação

Assim como é importante formalizar o início, é crucial formalizar o fim da união estável. Essa formalização da dissolução é o que extingue legalmente os efeitos pessoais e patrimoniais da união. Sem ela, podem surgir problemas como:

  • Conflitos Patrimoniais: Dúvidas sobre a propriedade de bens adquiridos durante a relação.
  • Deveres Residuais: Discussões sobre responsabilidades financeiras ou outras obrigações que, legalmente, já deveriam ter cessado.
  • Herança e Sucessão: Complicações para o ex-companheiro ou para os herdeiros em caso de falecimento de um deles, se a dissolução não estiver formalizada.

Formalizar a separação organiza a vida dos ex-companheiros, evita surpresas desagradáveis e previne conflitos futuros, garantindo a tranquilidade de todos os envolvidos.

Dissolução de União Estável vs. Divórcio: Entenda as Diferenças Chave

Embora ambos os institutos se refiram ao fim de um relacionamento, existem diferenças fundamentais entre a dissolução da união estável e o divórcio:

CaracterísticaUnião EstávelCasamento
InícioConvivência com objetivo de famíliaCerimônia civil
Estado CivilNão altera (ex: solteiro)Altera para casado
FimDissolução de União EstávelDivórcio
SobrenomeNão é comum a alteraçãoPode haver alteração
ReconhecimentoIndepende de formalização inicialDepende de registro em Cartório

O divórcio formaliza o fim de um casamento e altera o estado civil dos cônjuges para divorciados. Já a dissolução da união estável formaliza o fim da convivência pública, contínua e duradoura, mas não muda o estado civil preexistente dos companheiros.

Dissolução de União Estável Passo a Passo: Escolha a Via Certa

Via Extrajudicial (Em Cartório): Rapidez e Consenso

Se houver total acordo entre os companheiros e não houver pendências complexas, a dissolução em cartório é a opção mais rápida e simples.

  • Requisitos Essenciais:

    • Consenso total entre os companheiros sobre todos os termos da separação (partilha de bens, pensão, etc.).
    • Assistência obrigatória de advogado: Mesmo sendo consensual, a presença de um advogado é legalmente exigida. Pode ser o mesmo advogado para ambos, se não houver conflito de interesses.
    • Atualização Legal – Resolução CNJ nº 571/2024: Uma mudança significativa é que, a partir de novembro de 2023, mesmo havendo filhos menores ou incapazes, a dissolução extrajudicial é possível, desde que as questões relativas à guarda, regime de convivência e alimentos dos filhos já tenham sido previamente resolvidas judicialmente. Ou seja, o acordo sobre os filhos deve ter sido homologado por um juiz antes de ir ao cartório.
  • Vantagens: Mais rápida, menos burocrática, geralmente menos custosa, maior privacidade, menor desgaste emocional para os envolvidos.

  • Procedimento: Os companheiros, acompanhados de seu advogado, comparecem a um Tabelionato de Notas para a lavratura de uma Escritura Pública de Dissolução de União Estável. Esse documento registrará todos os termos acordados.

Via Judicial: Quando a Intervenção da Justiça é Necessária

Quando não há consenso entre os companheiros ou quando os requisitos para a via extrajudicial não são atendidos, a dissolução deve ser feita judicialmente.

  • Quando é Obrigatória:

    • Divergência ou conflito: Se houver desacordo em qualquer aspecto da separação, como partilha de bens, guarda ou pensão.
    • Filhos menores ou incapazes com questões não resolvidas: Se houver filhos menores ou incapazes e as questões de guarda, visitas e alimentos ainda não tiverem sido definidas judicialmente (ou se houver necessidade de revisão desses termos).
  • Procedimento: A dissolução judicial é iniciada por meio de uma ação no Poder Judiciário, sempre com representação por advogado.

    • Processo consensual (Homologação de Acordo): Se os companheiros conseguirem entrar em acordo posteriormente, o advogado pode apresentar esse acordo ao juiz para que seja homologado. Ainda assim, é um processo judicial.
    • Processo litigioso: Se não houver acordo, o processo será mais longo e complexo, com cada parte apresentando seus argumentos e provas, e o juiz decidindo sobre as questões divergentes.

Documentos Essenciais para a Dissolução: Prepare-se!

Para qualquer uma das vias, a organização dos documentos é fundamental. Veja a lista dos principais:

  • Dos Companheiros:

    • Documentos de Identidade (RG, CNH).
    • Cadastro de Pessoa Física (CPF).
    • Comprovante de residência atualizado.
    • Certidão de Nascimento atualizada (se solteiros) ou Certidão de Casamento atualizada (se casados com outra pessoa, com a devida averbação do divórcio).
  • Da União Estável (se houver):

    • Escritura Pública de União Estável (se formalizada em cartório).
    • Contrato Particular de União Estável (se formalizado por contrato).
    • Outras provas da existência da união (fotos, comprovantes de conta conjunta, declaração de imposto de renda, etc. – mais relevante na via judicial).
  • Dos Filhos (se houver):

    • Certidões de Nascimento dos filhos menores ou incapazes.
    • Documentos de identidade dos filhos (se maiores).
    • Sentenças judiciais prévias (se já houver decisão sobre guarda, visitas ou alimentos).
  • Do Advogado:

    • Carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
  • Dos Bens (se houver partilha):

    • Imóveis: Matrícula atualizada do imóvel (obtida no Cartório de Registro de Imóveis), carnê de IPTU, certidões negativas de ônus e débitos.
    • Veículos: Certificado de Registro de Veículo (CRV) e Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV).
    • Contas Bancárias/Investimentos: Extratos bancários, comprovantes de investimentos.
    • Empresas/Participações Societárias: Contrato social, balanço patrimonial, última alteração contratual.
    • Outros bens: Notas fiscais de bens de alto valor (joias, obras de arte, etc.).

Os Pontos Cruciais da Separação: O Que Você Precisa Definir

Ao dissolver uma união estável, algumas decisões são mandatórias e impactam diretamente a vida dos envolvidos.

Partilha de Bens e o Regime da Comunhão Parcial

O regime de bens padrão na união estável, caso os companheiros não tenham estabelecido outro por contrato ou escritura, é o da Comunhão Parcial de Bens. Isso significa que todos os bens adquiridos onerosamente por qualquer um dos companheiros durante a união estável devem ser partilhados igualmente.

O que entra na partilha:

  • Bens adquiridos por esforço comum (mesmo que registrados em nome de apenas um).
  • Melhorias em bens particulares.
  • Dívidas contraídas em benefício da família.

O que NÃO entra na partilha:

  • Bens que cada um já possuía antes da união.
  • Bens recebidos por herança ou doação.
  • Bens de uso pessoal, livros e instrumentos de trabalho.
  • Proventos do trabalho pessoal de cada um.

É possível optar por realizar a partilha de bens em um momento posterior à dissolução da união, por meio de um aditamento ou nova escritura/ação judicial específica para esse fim.

Guarda dos Filhos: Priorizando o Bem-Estar

Quando há filhos menores, a definição da guarda é um dos pontos mais sensíveis. A legislação brasileira prioriza a guarda compartilhada como regra, mesmo em casos de separação, pois entende-se que ambos os pais devem participar ativamente da vida e educação dos filhos.

  • Guarda Compartilhada: Ambos os pais têm direitos e deveres em relação aos filhos, dividindo as responsabilidades e decisões. A residência dos filhos será fixada com um dos pais, mas o outro terá amplo regime de convivência.
  • Guarda Unilateral: Concedida a apenas um dos pais, quando há motivos graves que justifiquem o afastamento do outro (ex: negligência, abuso). O genitor que não detém a guarda tem o direito de visitação e o dever de prestar alimentos.

É fundamental também definir um regime de convivência claro (anteriormente conhecido como visitas), estabelecendo dias e horários para que o pai/mãe que não reside com os filhos possa conviver com eles.

Pensão Alimentícia: Para Filhos e Ex-Companheiros

  • Para os Filhos: A pensão alimentícia para os filhos é um direito incondicional e obrigatório de ambos os pais, fixada com base na necessidade do filho e na possibilidade do pai/mãe que irá pagar. Geralmente, perdura até os 18 anos, ou até os 24 anos se o filho estiver comprovadamente cursando ensino superior ou técnico.

  • Para os Ex-companheiros: A pensão alimentícia para o ex-companheiro(a) não é automática. Ela é concedida apenas em situações excepcionais, quando um dos companheiros comprova real necessidade e o outro tem capacidade de pagar. Via de regra, essa pensão é fixada por um tempo determinado, dando ao beneficiário a oportunidade de se reestruturar financeiramente e se inserir no mercado de trabalho. A ideia é garantir a subsistência por um período de transição, não de forma vitalícia, salvo em casos de incapacidade permanente para o trabalho.

Quanto Custa Dissolver uma União Estável?

Os custos para dissolver uma união estável podem variar significativamente dependendo de diversos fatores:

  • Via Escolhida: A via extrajudicial (cartório) geralmente é menos custosa que a judicial, especialmente se for litigiosa.
  • Estado: As taxas cartorárias e custas judiciais variam de estado para estado.
  • Presença de Bens a Partilhar: Se houver bens, os custos com impostos (ITCMD ou ITBI, dependendo da forma da partilha) e taxas de registro são adicionados.
  • Presença de Filhos: Embora não aumente diretamente as custas, pode tornar o processo mais complexo e, consequentemente, influenciar nos honorários advocatícios.
  • Honorários Advocatícios: São definidos pelo advogado, mas seguem tabelas da OAB de cada estado. Podem ser maiores em processos litigiosos ou com grande patrimônio.

Principais despesas: Taxas de escritura pública (cartório), custas judiciais (se for processo judicial) e honorários advocatícios. Em casos de hipossuficiência financeira, é possível pleitear a gratuidade de justiça, que isenta o cidadão do pagamento das custas judiciais e emolumentos cartorários, além de permitir a nomeação de advogado dativo ou atendimento pela Defensoria Pública.

Preciso de um Advogado para Desfazer a União Estável?

Sim, a assistência jurídica de um advogado é obrigatória em qualquer modalidade de dissolução de união estável, seja ela judicial ou extrajudicial (em cartório).

A importância do advogado:

  • Proteção de Direitos: O profissional garantirá que seus direitos sejam respeitados e que o acordo seja justo para ambas as partes.
  • Evitar Erros: A dissolução envolve aspectos legais complexos, e um advogado evita que você cometa erros que possam gerar problemas futuros.
  • Eficiência e Agilidade: O advogado conduzirá o processo de forma correta e eficiente, buscando a melhor solução para o seu caso.
  • Mediador: Em casos de consenso, o advogado pode atuar como mediador, ajudando a construir um acordo equilibrado.

É importante ressaltar que, havendo consenso entre os companheiros e ausência de conflito de interesses, um único advogado pode representar ambos. Isso é comum na via extrajudicial e em processos judiciais consensuais, otimizando custos e agilizando o procedimento.

Dissolução Online: A Nova Realidade

Com o avanço tecnológico e a possibilidade de serviços digitais, a dissolução de união estável pela via extrajudicial pode ser realizada de forma online. Isso é possível através da lavratura da escritura pública de dissolução por videoconferência, utilizando certificado digital.

Vantagens e praticidade:

  • Conveniência: Não é necessário o deslocamento físico até o cartório, podendo ser feito de qualquer lugar com acesso à internet.
  • Agilidade: O processo pode ser mais rápido, já que elimina a necessidade de agendamentos presenciais.
  • Segurança Jurídica: A escritura pública online tem a mesma validade jurídica da presencial.

É mais uma opção que facilita a vida dos ex-companheiros, tornando o processo de separação menos burocrático e mais acessível.

A dissolução de uma união estável é um passo significativo que exige atenção aos detalhes legais para garantir que a transição ocorra de forma justa e segura para todos os envolvidos. Embora o processo possa parecer complexo, as vias extrajudicial e judicial oferecem caminhos claros para formalizar o término da relação, sempre com o suporte indispensável de um profissional do direito. Para garantir que seus direitos sejam protegidos e o processo ocorra da forma mais tranquila possível, a busca por orientação especializada é o próximo e mais importante passo.

Perguntas Frequentes

O que é uma união estável e qual sua diferença para o casamento?
A união estável é a convivência pública, contínua e duradoura, estabelecida com o objetivo de constituição de família. Diferente do casamento, não altera o estado civil (que permanece solteiro, divorciado ou viúvo), mas confere aos companheiros direitos e deveres semelhantes aos de um casamento, especialmente quanto aos bens.
É preciso ter um advogado para dissolver a união estável?
Sim, a assistência de um advogado é obrigatória tanto para a dissolução extrajudicial (em cartório) quanto para a judicial. O advogado garantirá que todos os procedimentos legais sejam seguidos e que seus direitos sejam devidamente protegidos, podendo inclusive atuar para ambos os companheiros, se houver consenso e ausência de conflito de interesses.
Posso dissolver a união estável em cartório mesmo tendo filhos menores?
A partir da Resolução CNJ nº 571/2024, é possível realizar a dissolução de união estável em cartório mesmo com filhos menores, desde que as questões de guarda, convivência e alimentos para eles já tenham sido previamente definidas e homologadas pela justiça. Se houver divergência ou essas questões não estiverem resolvidas judicialmente, a via judicial ainda será obrigatória.
Como funciona a partilha de bens na dissolução da união estável?
O regime de bens padrão na união estável é o da Comunhão Parcial de Bens. Isso significa que, salvo acordo em contrário, todos os bens adquiridos onerosamente durante a convivência deverão ser partilhados igualmente entre os companheiros. Bens anteriores à união ou recebidos por herança/doação geralmente não entram na partilha.
Quanto custa para dissolver uma união estável?
Os custos envolvem taxas cartorárias (na via extrajudicial), custas judiciais (na via judicial) e honorários advocatícios. O valor varia bastante de acordo com o estado, a complexidade do caso (se há bens a partilhar, filhos, etc.) e a forma escolhida para a dissolução. Pessoas com hipossuficiência financeira podem solicitar a gratuidade de justiça ou isenção de custas.
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