Direito Bancário

Juros Abusivos: Não Seja Mais Uma Vítima! Descubra Seus Direitos e Reclame o Que É Seu

Equipe SolucioneAqui
9 de janeiro de 2026
13 min de leitura
Close-up of professionals shaking hands over coffee in a modern office.
Foto: fauxels/Pexels

Principais Pontos

  • Juros abusivos são taxas excessivas que levam ao superendividamento, muitas vezes acima da média de mercado do Banco Central.
  • Para identificar, compare as taxas do seu contrato com as médias do BCB, observe o Custo Efetivo Total (CET) e verifique sinais de anatocismo indevido.
  • O Código de Defesa do Consumidor (CDC) e leis específicas, como a Lei 14.690/2023 (rotativo), protegem o consumidor e permitem a restituição em dobro de valores cobrados indevidamente.
  • Ao identificar juros abusivos, reúna documentos, tente negociar, procure órgãos de defesa do consumidor (Procon) e, se necessário, avalie uma ação revisional com advogado especializado.
  • Previna-se pesquisando taxas, lendo contratos atentamente e evitando modalidades de crédito de alto custo como o rotativo do cartão e o cheque especial.

Aviso Legal: Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica profissional. Consulte um advogado para seu caso específico.

Analise Seu Caso Bancário

Verifique se você tem direito a indenização ou revisão contratual.

Introdução: A Injustiça dos Juros Abusivos e o Caminho para a Solução

Imagine ver sua dívida crescer exponencialmente, tornando-se uma bola de neve incontrolável, mesmo com seus esforços para pagá-la. Essa é a realidade dolorosa de milhões de brasileiros que caem na armadilha dos juros abusivos – taxas exorbitantes que transformam um empréstimo simples em um pesadelo financeiro. O superendividamento é uma consequência cruel dessa prática, mas você não precisa aceitar essa situação passivamente.

Este guia completo foi criado para empoderar você. Vamos desvendar o que são os juros abusivos, como identificá-los em seus contratos, quais são seus direitos garantidos por lei e, o mais importante, o passo a passo para contestá-los e reaver o dinheiro que foi cobrado indevidamente. Prepare-se para retomar o controle de suas finanças e lutar pelo que é justo.

O Que São Juros Abusivos, Afinal? Entenda o Conceito por Trás da Injustiça

Os juros são a remuneração pelo dinheiro emprestado, uma compensação pelo risco e pelo tempo que o capital fica à disposição de terceiros. Contudo, quando essa remuneração se torna desproporcional, excessiva e explora a vulnerabilidade do consumidor, estamos falando de juros abusivos. Mais do que apenas "caros", eles superam significativamente as taxas médias do mercado, muitas vezes levando o devedor a um ciclo vicioso de endividamento do qual é quase impossível sair sem intervenção.

Definição Clara

São taxas de juros cobradas de forma excessiva ou desproporcional, colocando o consumidor em desvantagem significativa diante do credor e contrariando os princípios da boa-fé e equilíbrio contratual. A cobrança de juros abusivos ocorre quando a instituição financeira se aproveita da necessidade do cliente para impor condições muito além do razoável e do praticado pelo mercado.

A Relação com o Superendividamento

A principal e mais devastadora consequência dos juros abusivos é o superendividamento. O consumidor assume dívidas com valores tão altos que comprometem seu orçamento, impossibilitando o pagamento e impactando diretamente sua qualidade de vida, saúde mental e até mesmo a dinâmica familiar. O superendividamento transforma a vida em uma busca constante por formas de quitar dívidas que, na realidade, nunca parecem diminuir, mesmo com os pagamentos mensais.

Como Identificar Juros Abusivos em Seus Contratos: Sinais de Alerta e Ferramentas Essenciais

A primeira etapa para combater os juros abusivos é saber identificá-los. Muitas vezes, eles se escondem em letras miúdas ou em uma complexidade que confunde o consumidor. Fique atento a estes sinais:

Taxas Muito Acima da Média de Mercado

  • O Parâmetro do Banco Central (BCB): Um dos indicadores mais importantes. O BCB divulga mensalmente as taxas médias de juros praticadas para diversas modalidades de crédito (crédito pessoal, cheque especial, financiamento de veículos, cartão de crédito, etc.). Se o seu contrato apresentar taxas muito superiores a essa média para a mesma época da contratação, é um forte indício de abusividade.
  • Como Consultar: Acesse o site do Banco Central do Brasil (www.bcb.gov.br) e procure pela seção de "Estatísticas" ou "Taxas de Juros". Lá, você encontrará tabelas históricas que permitem comparar as taxas do seu contrato com as médias praticadas no mês em que você assinou o empréstimo.

Falta de Transparência no Custo Efetivo Total (CET)

  • O Que É o CET: O Custo Efetivo Total é o valor real de um empréstimo ou financiamento. Ele inclui não apenas a taxa de juros nominal, mas todos os encargos, tarifas, impostos (como o IOF), seguros e despesas do financiamento. É o valor que você, de fato, pagará pela operação.
  • Sinal de Alerta: A não apresentação clara do CET no contrato, sua omissão ou um valor muito elevado em relação à taxa de juros nominal pode indicar práticas abusivas ou a inclusão de cobranças indevidas que inflacionam o custo final do crédito.

Anatocismo: A Proibição dos "Juros sobre Juros" (Salvo Exceções)

  • Definição: Anatocismo é a prática de cobrar juros sobre juros já acumulados, o que popularmente é conhecido como "juros compostos" de forma indevida. No Brasil, a capitalização de juros é geralmente proibida, salvo se estiver expressa e claramente prevista no contrato e para certas modalidades e períodos (ex: capitalização mensal permitida em alguns casos, como em cédulas de crédito bancário, se contratada e por prazo superior a um ano).
  • Como Identificar: Calcule a progressão da dívida. Se os juros estão sendo aplicados sobre o montante total (principal + juros passados), e não apenas sobre o saldo devedor original, pode ser um caso de anatocismo. A Calculadora do Cidadão pode ajudar a simular o crescimento da dívida.

Cláusulas Contratuais Excessivas ou Ambíguas

  • Termos que geram desvantagem exagerada para o consumidor, como penalidades altíssimas por atraso, tarifas sem contrapartida de serviço ou que não estejam previstas em normas do Banco Central.
  • Multas e encargos de mora desproporcionais, que extrapolam os limites legais (geralmente 2% de multa e 1% ao mês de juros de mora em contratos de consumo).

Use a Calculadora do Cidadão (Banco Central): Sua Aliada na Análise!

  • Passo a Passo: A Calculadora do Cidadão é uma ferramenta online gratuita do Banco Central (disponível no site do BCB) que permite simular empréstimos, financiamentos e verificar taxas de juros. Você pode utilizá-la para verificar a taxa de juros efetiva do seu contrato e compará-la com as médias de mercado.
  • Simulação: Insira os dados do seu contrato (valor financiado, número de parcelas, valor das parcelas) para obter um comparativo claro do que seria uma taxa de juros "justa" em relação ao que você está pagando. Isso pode gerar um indício forte de juros abusivos.

Em Quais Tipos de Contratos os Juros Abusivos São Mais Comuns?

A abusividade pode surgir em diversas operações de crédito, mas algumas modalidades são historicamente mais propensas a essa prática devido à sua natureza ou à forma como são oferecidas.

Cartão de Crédito (Especialmente o Saldo Rotativo)

  • O Vilão do Endividamento: As taxas do rotativo do cartão de crédito são notórias por serem as mais altas do mercado, podendo ultrapassar os 400% ao ano. Muitas vezes, o consumidor que paga o valor mínimo da fatura entra em um ciclo vicioso de juros que nunca diminui a dívida principal.
  • A Nova Lei 14.690/2023: Recentemente, uma importante mudança legislativa trouxe um freio a essa prática. A Lei nº 14.690/2023, que entrou em vigor em janeiro de 2024, estabelece um limite de 100% do valor da dívida original para os juros e encargos do rotativo. Isso significa que a dívida total (principal + juros) não pode exceder o dobro do valor original. Entenda como ela funciona e o que fazer se o seu banco ultrapassar esse teto – essa lei é um divisor de águas no combate aos juros abusivos no cartão de crédito.

Financiamento de Veículos

  • Nesta modalidade, os juros podem distorcer o valor final do bem, tornando-o impagável. Além das taxas de juros elevadas, é comum encontrar cobranças de tarifas indevidas, como taxa de cadastro, tarifa de avaliação do bem, registro de contrato e serviços de terceiros, que são ilegais e podem ser contestadas.

Empréstimos Pessoais e Consignados

  • Apesar de geralmente apresentarem taxas mais baixas que o rotativo do cartão de crédito ou o cheque especial, ainda podem conter abusividade. Isso ocorre especialmente para perfis de risco ou em situações de urgência, onde o consumidor se vê obrigado a aceitar condições desfavoráveis. Para o empréstimo consignado, embora as taxas sejam regulamentadas, é crucial verificar se o contrato não incluiu seguros ou tarifas não solicitadas que elevam o CET.

Cheque Especial

  • Outra modalidade de crédito de altíssimo custo, muitas vezes utilizado de forma emergencial, mas que rapidamente se torna uma dívida incontrolável devido às taxas de juros exorbitantes. A utilização contínua do cheque especial é um sinal de alerta para problemas financeiros e um terreno fértil para juros abusivos.

Seus Direitos e O Que a Lei Diz Sobre Juros Abusivos no Brasil

O consumidor não está desprotegido. A legislação brasileira oferece diversos mecanismos para combater a cobrança indevida de juros, garantindo que a balança não penda totalmente para o lado das instituições financeiras.

O Código de Defesa do Consumidor (CDC): Sua Principal Arma

O CDC (Lei nº 8.078/1990) é o alicerce da proteção ao consumidor e sua principal ferramenta contra os juros abusivos:

  • Vulnerabilidade do Consumidor: O CDC reconhece a vulnerabilidade do consumidor e considera abusivas práticas que resultam em vantagens exageradas para o fornecedor (Art. 39, V). As instituições financeiras, por deterem o conhecimento técnico e a capacidade econômica, são consideradas mais fortes na relação, o que justifica a proteção legal ao consumidor.
  • Cláusulas Abusivas São Nulas: O Art. 51 do CDC declara nulas de pleno direito as cláusulas contratuais que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada ou que sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade. Isso inclui cláusulas que preveem juros exorbitantes ou encargos excessivos.
  • Direito à Informação: O CDC também garante o direito à informação clara e adequada sobre produtos e serviços (Art. 6º, III). O consumidor deve entender todas as condições do contrato, incluindo o CET, antes de assinar. A falta de transparência é um forte indício de irregularidade.

Parâmetros do Banco Central e o Entendimento do STJ

Embora não haja um limite legal único para todas as taxas de juros (com exceção de alguns casos específicos, como o rotativo do cartão de crédito e a Lei da Usura, que tem aplicação limitada em contratos bancários), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem um entendimento consolidado. O STJ considera que juros muito acima da média de mercado divulgada pelo Banco Central do Brasil podem ser considerados abusivos, permitindo a sua revisão judicial. Esse parâmetro é crucial para embasar ações revisionais.

A Lei 14.690/2023: O Freio no Rotativo do Cartão de Crédito

Como mencionado, esta lei que entrou em vigor em janeiro de 2024 é um marco. Ela limita os juros e encargos totais do saldo rotativo do cartão de crédito em 100% do valor da dívida original. Ou seja, se sua dívida era de R$ 1.000,00, o valor total a ser pago, incluindo juros e multas, nunca poderá exceder R$ 2.000,00. Entenda como essa lei é uma ferramenta crucial no combate ao superendividamento causado pelas taxas estratosféricas do cartão e como ela pode ser usada para contestar cobranças que excedam esse limite.

A Lei 14.905/2024: Juros Legais em Outros Cenários

Esta lei, que unifica a aplicação de juros legais em contratos sem taxa convencionada ou em ações de responsabilidade civil extracontratual, define que a taxa de juros legal será a diferença entre a Selic (taxa básica de juros da economia) e o IPCA (índice de inflação). Embora não se aplique diretamente à revisão de juros abusivos em contratos bancários com taxas pré-fixadas, ela demonstra o esforço legislativo para trazer mais clareza e justiça ao cálculo de juros em diversas situações, impactando a interpretação de abusividade indiretamente.

Restituição em Dobro: O Artigo 42 do CDC

Um dos direitos mais poderosos do consumidor. O Artigo 42, parágrafo único, do CDC estabelece que o consumidor cobrado em quantia indevida tem o direito de receber de volta o valor pago em excesso, em dobro, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável do credor. Isso significa que, se você provar que pagou juros abusivos, pode reaver o dobro do que pagou a mais. Entender quando e como aplicar esse direito é fundamental para buscar a reparação financeira.

O Que Fazer Diante de Juros Abusivos: Um Guia Prático Passo a Passo

Identificou juros abusivos? É hora de agir! Não se desespere. Siga este guia prático para defender seus direitos e retomar o controle da sua vida financeira.

1. Reúna Toda a Documentação Necessária

Este é o primeiro e mais importante passo. A documentação robusta é a base para qualquer negociação ou ação judicial.

  • Contrato de empréstimo/financiamento: Obtenha o original ou uma cópia legível. Ele contém todas as cláusulas, taxas e condições acordadas.
  • Extratos de todas as parcelas pagas e do saldo devedor: Peça ao banco ou financeira um extrato detalhado de toda a evolução da dívida, incluindo os valores pagos e o saldo atualizado.
  • Comprovantes de pagamento: Guarde todos os comprovantes das parcelas que você já pagou.
  • Qualquer comunicação com o credor: E-mails, cartas, protocolos de atendimento telefônico, gravações de chamadas (se você gravou) – tudo que comprove suas tentativas de contato ou reclamações prévias.

2. Calcule e Compare Suas Taxas

Com a documentação em mãos, é hora de fazer a análise técnica.

  • Utilize a Calculadora do Cidadão do Banco Central: Insira os dados do seu contrato para verificar o CET real e a taxa de juros efetiva que você está pagando.
  • Compare as taxas do seu contrato com as médias de mercado do BCB: Acesse o site do Banco Central e compare as taxas que você pagou com a média praticada para a mesma modalidade de crédito e no mês em que o contrato foi assinado.
  • Faça um cálculo prévio do valor que você acredita ter pago a mais: Essa estimativa, mesmo que inicial, será importante para sua argumentação.

3. Tente a Negociação Direta com o Credor

Antes de partir para medidas mais drásticas, tente resolver amigavelmente.

  • Apresente sua análise ao banco ou financeira: Com base nos cálculos e comparações, entre em contato com a instituição e apresente as evidências de juros abusivos. Seja claro, objetivo e formal.
  • Proponha uma renegociação da dívida com taxas justas: Baseie sua proposta nas taxas de mercado e nos seus cálculos do valor devido.
  • Mantenha registros de todas as tentativas de contato e propostas: Anote datas, nomes dos atendentes, protocolos e guarde cópias de e-mails ou cartas. Isso será prova caso precise escalar a reclamação.

4. Busque Órgãos de Defesa do Consumidor

Se a negociação direta não funcionar, procure apoio especializado.

  • Procon: Registre uma reclamação formal no Procon de sua cidade. Eles atuam como mediadores e podem convocar a instituição para uma audiência de conciliação. O Procon tem poder para aplicar multas, o que pode incentivar o credor a negociar.
  • Consumidor.gov.br: Esta é uma plataforma online mantida pelo governo federal que permite registrar reclamações diretamente com as empresas. Muitas instituições financeiras têm um bom índice de resolução por este canal. É uma alternativa prática e eficaz.

5. Avalie a Ação Revisional de Juros: O Caminho Judicial

Quando todas as tentativas extrajudiciais falham, a via judicial se torna necessária. É aqui que você busca a intervenção do poder judiciário para corrigir a injustiça.

  • Quando é Indicada: A ação revisional de juros é indicada quando há comprovação robusta de juros abusivos e as tentativas de acordo com o credor ou a mediação dos órgãos de defesa do consumidor não surtiram efeito.
  • Principais Objetivos:
    • Redução da dívida para valores justos e legais: O juiz pode determinar a revisão das taxas de juros e demais encargos para que se adequem aos parâmetros de mercado ou à legislação.
    • Eliminação de cláusulas contratuais abusivas: Qualquer cláusula que coloque o consumidor em desvantagem exagerada pode ser anulada.
    • Restituição de valores pagos indevidamente (inclusive em dobro): Se for comprovado o pagamento de juros ou encargos indevidos, você terá direito à devolução desses valores, podendo ser em dobro, conforme o Art. 42 do CDC.
  • A Importância do Advogado Especializado: A ação revisional é um processo complexo que exige conhecimento técnico e jurídico aprofundado. Um advogado especialista em direito do consumidor e bancário será essencial para:
    • Analisar a viabilidade da ação: Ele avaliará seus documentos e realizará um cálculo pericial prévio para determinar se há, de fato, abusividade e qual o valor aproximado a ser contestado.
    • Realizar os cálculos periciais: A prova técnica é fundamental. O advogado providenciará os cálculos detalhados que demonstrarão a diferença entre o que foi cobrado e o que deveria ter sido cobrado.
    • Representá-lo em todas as etapas do processo: Desde a elaboração da petição inicial até as audiências e o cumprimento da sentença, o advogado defenderá seus interesses.

Consequências de uma Ação Revisional e Dúvidas Comuns

Iniciar um processo judicial pode gerar dúvidas e preocupações. É natural. Esclareça os principais pontos para se sentir mais seguro.

É Preciso Parar de Pagar a Dívida Durante a Ação?

  • Geralmente, não é recomendável parar completamente de pagar a dívida, pois isso pode levar à inadimplência e à negativação do seu nome (inscrição em cadastros de proteção ao crédito como SPC e Serasa).
  • A recomendação é solicitar ao juiz a permissão para realizar o depósito em juízo dos valores que você considera devidos, com base na taxa de mercado. Isso demonstra boa-fé e evita a negativação, ou permite que o advogado solicite uma tutela de urgência para impedir ou reverter a negativação indevida.

Meu Nome Pode Ser Negativado?

  • Sim, se você parar de pagar as parcelas e não houver uma decisão judicial (tutela de urgência ou liminar) que suspenda a negativação, o credor pode inscrever seu nome nos órgãos de proteção ao crédito.
  • Seu advogado pode tomar medidas para evitar ou reverter a negativação indevida, demonstrando ao juiz a plausibilidade da sua alegação de juros abusivos e o depósito dos valores incontroversos.

Quanto Tempo Dura o Processo?

  • A duração de uma ação revisional de juros pode variar significativamente conforme a complexidade do caso, a quantidade de provas a serem produzidas (como perícias), a necessidade de recursos e a comarca (cidade/estado) onde tramita o processo. Pode levar de alguns meses a alguns anos.
  • É importante ter expectativas realistas sobre a duração da ação revisional e manter contato constante com seu advogado para acompanhar o andamento.

O Que Acontece se Eu Ganhar a Ação?

  • Redução do saldo devedor: A dívida será recalculada com as taxas de juros consideradas justas e legais, resultando em um saldo devedor menor.
  • Pagamentos futuros menores: Suas parcelas mensais serão ajustadas para o novo valor da dívida, tornando-as mais acessíveis.
  • Restituição dos valores pagos a mais: Você receberá de volta os valores que pagou indevidamente, corrigidos e, em muitos casos, em dobro.
  • Limpeza do nome: Se seu nome foi negativado indevidamente devido à cobrança dos juros abusivos, ele será retirado dos cadastros de inadimplentes.

Prevenção: Como Evitar Cair em Armadilhas de Juros Abusivos no Futuro

O melhor remédio é a prevenção. Adote hábitos financeiros que o protegerão de futuras armadilhas de juros abusivos.

Pesquise Sempre Antes de Contratar

  • Compare taxas em diferentes instituições financeiras: Nunca aceite a primeira oferta. Use o site do Banco Central, comparadores de crédito online e visite vários bancos ou financeiras para obter as melhores condições.
  • Utilize comparadores de crédito online: Sites especializados podem ajudar a visualizar as opções disponíveis e suas respectivas taxas de juros e CET.

Leia o Contrato com Atenção Total

  • Não assine nada sem entender: Peça explicações sobre todas as cláusulas, especialmente as relacionadas a juros, multas, encargos e tarifas. Não tenha vergonha de perguntar. Se algo não estiver claro, peça para ser explicado de forma simples e direta.
  • Verifique o Custo Efetivo Total (CET) e as cláusulas de juros e encargos: O CET deve ser claramente informado. Verifique se as taxas de juros estão de acordo com o que foi prometido e se não há tarifas "ocultas".

Mantenha a Saúde Financeira em Dia

  • Crie uma reserva de emergência: Ter um dinheiro guardado para imprevistos evita a necessidade de recorrer a empréstimos urgentes com juros elevados.
  • Monitore seu score de crédito: Um bom score pode lhe garantir melhores taxas de juros em futuras contratações, pois você será visto como um pagador confiável.

Fuja do Rotativo do Cartão de Crédito e Cheque Especial

  • São as modalidades de crédito mais caras e devem ser usadas apenas em último caso, por curtíssimo prazo. Se precisar usar, planeje-se para quitar o valor o mais rápido possível para evitar o acúmulo de juros abusivos.

Conclusão: Retome o Controle de Suas Finanças e Lute Pelos Seus Direitos

Os juros abusivos são um problema sério, capaz de destruir orçamentos e sonhos. No entanto, o conhecimento é poder. Agora você entende o que são, como identificá-los, quais são seus direitos e, mais importante, os caminhos para combater essa prática injusta. Não permita que o medo ou a falta de informação o impeçam de lutar pelo que é seu. Se você suspeita que está pagando juros abusivos, não hesite em agir. Você tem o direito de reaver o que lhe foi cobrado indevidamente e de ter suas finanças em ordem.

Perguntas Frequentes

O que é juros abusivos?
Juros abusivos são taxas de juros cobradas por instituições financeiras que são consideradas excessivas e desproporcionais em relação à média do mercado ou que contrariam a legislação, explorando a vulnerabilidade do consumidor. Eles podem levar ao superendividamento, tornando a dívida impagável e desequilibrando a relação contratual.
Como funciona juros abusivos?
Funcionam pela aplicação de taxas muito acima da média do Banco Central para a modalidade de crédito e época da contratação, pela falta de transparência no Custo Efetivo Total (CET), pela capitalização indevida de juros (anatocismo sem previsão legal) ou por cláusulas contratuais excessivas. Geralmente são encontrados em cartão de crédito (rotativo), financiamentos de veículos, empréstimos pessoais e cheque especial.
Quais são os direitos relacionados a juros abusivos?
Você tem direito à proteção pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), que considera nulas cláusulas abusivas. O STJ entende que taxas muito acima da média do BCB são abusivas. Leis como a 14.690/2023 limitam os juros do rotativo. Em caso de cobrança indevida, o Art. 42 do CDC garante a restituição em dobro do valor pago a mais, corrigido e com juros, salvo engano justificável.
Quanto tempo demora para resolver um caso de juros abusivos?
A resolução depende da abordagem. Negociações diretas ou com o Procon podem ser mais rápidas, levando semanas ou poucos meses. Uma ação revisional de juros na justiça pode durar de alguns meses a alguns anos, dependendo da complexidade do caso, da comarca e dos recursos apresentados pelas partes.
Qual o prazo para reclamar de juros abusivos?
O prazo prescricional para ajuizar uma ação revisional de contrato bancário com juros abusivos é geralmente de 10 anos, conforme o Art. 205 do Código Civil. Esse prazo começa a contar a partir do vencimento da última parcela do contrato. Contudo, é sempre recomendável buscar orientação jurídica o quanto antes, assim que identificar a possível abusividade.

Fontes e Referências

Este artigo foi pesquisado e verificado usando as seguintes fontes oficiais:

  1. spcbrasil.com.br
  2. vlvadvogados.com
  3. uol.com.br
  4. cresol.com.br
  5. grossiebessa.com.br
  6. silvaefreitas.com
  7. vradvogados.com.br
  8. malufadvogadosassociados.com.br
  9. epd.edu.br
  10. sebraeprevidencia.com.br
  11. migalhas.com.br
  12. creditas.com
  13. youtube.com
  14. sosconsumidor.com.br
  15. suno.com.br
  16. serasaexperian.com.br
  17. modeloinicial.com.br
  18. motaassessoria.com.br
  19. vlvadvogados.com
  20. youtube.com
  21. serasa.com.br
  22. serasa.com.br
  23. vradvogados.com.br
  24. aguiaradvogados.com.br
  25. elimaa.com.br
  26. jornalopcao.com.br
  27. rfadvs.com
  28. camara.leg.br
  29. senado.leg.br
  30. spbancarios.com.br
#juros abusivos#superendividamento#direitos do consumidor#ação revisional#finanças

Para Advogados

Se você é advogado, conheça nossa plataforma para escritórios. Automatize triagem de casos bancários com IA.

Conhecer plataforma

Artigos Relacionados