Direito Criminal

Fiança Criminal: O que é, Como Funciona, Qual o Valor e Seus Direitos

Equipe SolucioneAqui
6 de janeiro de 2026
8 min de leitura
African American judge in traditional robes holds a document and talks on the phone in a law library.
Foto: KATRIN BOLOVTSOVA/Pexels

Principais Pontos

  • A fiança criminal é uma garantia processual que permite ao acusado responder ao processo em liberdade, não sendo uma 'compra de inocência'.
  • O valor da fiança é definido com base na gravidade do crime, condições financeiras do acusado e outras circunstâncias, podendo ser arbitrado por Delegado ou Juiz.
  • Nem todos os crimes permitem fiança; crimes hediondos, tráfico e racismo, por exemplo, são inafiançáveis.
  • Quem paga a fiança assume obrigações com a justiça, e o descumprimento pode levar à perda do valor e até à prisão preventiva.
  • Um advogado especializado é fundamental para orientar, negociar o valor da fiança e garantir que todos os direitos do acusado sejam respeitados.

Aviso Legal: Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica profissional. Consulte um advogado para seu caso específico.

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Questões criminais requerem acompanhamento especializado.

Introdução: Fiança Criminal – O Caminho para a Liberdade Provisória e a Presunção de Inocência

Ser detido ou ver um ente querido preso é um momento de grande angústia e incerteza. A primeira pergunta que surge é: "É possível sair?" Em meio ao desespero, termos jurídicos como "fiança criminal" surgem, muitas vezes carregados de mitos e mal-entendidos, gerando dúvidas sobre sua real função e aplicabilidade.

Este guia completo desmistificará a fiança criminal, explicando de forma clara o que ela é, como funciona no Brasil, quais os valores envolvidos e como ela se encaixa no direito à liberdade provisória e à presunção de inocência. Desde os conceitos básicos até as obrigações e a possibilidade de devolução do valor, você encontrará aqui as respostas que precisa.

O Que é Fiança Criminal? Desvendando o Conceito e Sua Função

Fiança: Mais que Dinheiro, uma Garantia Processual

Contrário ao senso comum, a fiança criminal não é uma "compra de liberdade" ou uma absolvição antecipada. Ela representa uma garantia processual, geralmente financeira, que assegura que a pessoa acusada de um crime poderá responder ao processo em liberdade, mas com o compromisso de se apresentar à justiça sempre que for solicitado.

Qual a Finalidade da Fiança? Os Objetivos Essenciais

Os principais objetivos da fiança são:

  • Assegurar o comparecimento do acusado: Garantir que o indivíduo participe de todos os atos do processo, como audiências e depoimentos.
  • Evitar a fuga e a obstrução da justiça: Prevenir que o acusado fuja do distrito da culpa ou interfira na coleta de provas e no andamento do processo.
  • Garantir o pagamento de custas e indenizações: Em caso de condenação definitiva, o valor da fiança pode ser utilizado para quitar custas processuais, multas e eventuais indenizações civis devidas à vítima.

Base Legal: Onde a Fiança é Prevista no Brasil?

No Brasil, a fiança está detalhadamente regulamentada no Código de Processo Penal (Art. 321 a 350). Além disso, a Lei nº 12.403/2011 trouxe importantes alterações, consolidando a fiança como uma das medidas cautelares diversas da prisão. Isso significa que, antes de decretar a prisão preventiva, o juiz deve analisar se outras medidas, como a fiança, são suficientes para garantir a ordem processual.

Como Funciona o Processo de Fiança na Prática? Um Guia Passo a Passo

Entender o fluxo da fiança pode aliviar a ansiedade. Veja como funciona na prática:

Quem Pode Arbitrar a Fiança? Delegado vs. Juiz

A competência para determinar o valor da fiança depende do tipo de crime:

  • Competência do Delegado de Polícia: Para crimes cuja pena privativa de liberdade máxima não exceda 4 anos. Neste caso, o Delegado, ao lavrar o auto de prisão em flagrante, pode fixar a fiança.
  • Competência do Juiz: Para crimes com pena máxima superior a 4 anos, ou em situações onde o Delegado não pode arbitrar (como no caso de reincidência, ou quando há dúvidas sobre a identidade do acusado). O juiz tem o prazo de 48 horas após a comunicação da prisão para analisar o caso e decidir sobre a fiança.

Da Prisão à Solicitação: Entenda o Fluxo

  1. Lavratura do Auto de Prisão em Flagrante: Após a prisão, a autoridade policial colhe os depoimentos e formaliza o flagrante.
  2. Análise da Possibilidade de Fiança: O Delegado ou Juiz analisa se o crime é afiançável e, em caso positivo, os critérios para fixar o valor.
  3. Comunicação do Valor e Procedimentos: O valor é comunicado ao preso ou ao seu advogado, junto com as instruções para o pagamento.
  4. Pagamento e Expedição do Alvará de Soltura: Após o pagamento e a verificação do depósito, o alvará de soltura é expedido, permitindo que o acusado seja colocado em liberdade.

Quais as Formas de Pagamento Aceitas para a Fiança?

A fiança pode ser paga de diversas formas, conforme previsto em lei:

  • Dinheiro: A forma mais comum, depositada em conta judicial.
  • Pedras, objetos ou metais preciosos: Podem ser aceitos como garantia, mediante avaliação.
  • Títulos da dívida pública, ações de sociedades anônimas, hipoteca: Outras formas de bens que podem ser dados como garantia.

Qual o Valor da Fiança Criminal e Como Ele é Calculado?

Uma das maiores dúvidas é sobre o valor da fiança. Ele não é fixo e é determinado por critérios específicos.

Os Critérios que Influenciam o Valor da Fiança

Ao fixar o valor, a autoridade competente considera:

  • Natureza da infração e gravidade do crime: Crimes mais graves tendem a ter fianças mais altas.
  • Condições pessoais do acusado: A situação econômica do indivíduo (se ele tem ou não condições de pagar), seus antecedentes criminais e sua conduta social.
  • Circunstâncias do fato: Como o crime foi cometido e os impactos causados.
  • Probabilidade de comparecimento em juízo: Se há risco de fuga ou de não cumprimento das obrigações.

Faixas de Valores Legais por Tipo de Crime (Salários Mínimos)

O Código de Processo Penal estabelece faixas de valores, com base no salário mínimo vigente, para guiar a fixação da fiança:

  • Crimes com pena máxima de até 4 anos: Fiança entre 1 e 100 salários mínimos.
  • Crimes com pena máxima superior a 4 anos: Fiança entre 10 e 200 salários mínimos.

É importante notar que esses são limites e o valor exato será determinado caso a caso.

É Possível Recorrer ou Reduzir o Valor da Fiança?

Sim, o juiz possui a prerrogativa de aumentar o valor da fiança em até 1.000 vezes, caso considere o valor inicial insuficiente para garantir o processo. Da mesma forma, pode reduzir o valor em até dois terços, especialmente se houver comprovação de hipossuficiência (falta de recursos financeiros) do acusado ou de sua família, podendo até mesmo dispensá-la e substituí-la por outras medidas cautelares menos onerosas.

Crimes Afiançáveis vs. Inafiançáveis: Saiba a Diferença Crucial

A fiança é a regra no nosso sistema jurídico, mas existem exceções importantes.

Quando a Fiança é Permitida?

A maioria dos crimes é afiançável. A fiança é permitida sempre que não houver previsão legal expressa em contrário e quando as medidas cautelares diversas da prisão forem consideradas suficientes para o caso. Exemplos incluem crimes de menor potencial ofensivo, furtos simples, lesões corporais leves, entre outros.

Quais Crimes NÃO Permitem Fiança? (Crimes Hediondos, Tráfico, Racismo, etc.)

A Constituição Federal e o Código de Processo Penal (Art. 323) listam expressamente os crimes considerados inafiançáveis, ou seja, aqueles em que não é possível pagar fiança para responder em liberdade. Incluem:

  • Tortura
  • Tráfico ilícito de drogas
  • Terrorismo
  • Racismo
  • Crimes hediondos e seus equiparados (ex: latrocínio, extorsão mediante sequestro, estupro, genocídio, entre outros).
  • Ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático.

Nesses casos, a lei entende que a gravidade da conduta exige a prisão cautelar, sem a possibilidade de liberdade mediante fiança.

Liberdade com Responsabilidade: As Obrigações de Quem Paga a Fiança

Receber a liberdade mediante fiança não significa o fim das responsabilidades. Pelo contrário, implica em uma série de compromissos com a justiça.

Compromissos Essenciais com a Justiça

Ao pagar a fiança, o acusado assume as seguintes obrigações:

  • Comparecer a todos os atos processuais: Estar presente em audiências, interrogatórios e qualquer outra etapa do processo judicial.
  • Não mudar de residência sem comunicar a autoridade: Manter seu endereço atualizado e informar o juízo sobre qualquer alteração.
  • Não se ausentar da comarca por mais de 8 dias sem autorização: Para viagens mais longas, é necessário pedir permissão ao juiz.
  • Outras medidas cautelares: O juiz pode impor medidas adicionais, como monitoramento eletrônico (tornozeleira), proibição de contato com determinadas pessoas ou frequentar certos lugares, comparecimento periódico em juízo, etc.

Quebra da Fiança: As Graves Consequências do Descumprimento

O descumprimento de qualquer uma dessas obrigações pode trazer sérias consequências, caracterizando a quebra da fiança:

  • Perda total ou parcial do valor da fiança: O dinheiro depositado pode não ser devolvido.
  • Possibilidade de decretação da prisão preventiva: O juiz pode revogar a liberdade provisória e determinar a prisão do acusado.
  • Imposição de outras medidas cautelares mais restritivas: Caso a fiança seja restabelecida, novas e mais rigorosas condições podem ser impostas.

A Fiança é Devolvida? Condições para a Restituição do Valor

Esta é uma pergunta frequente, e a resposta depende do desfecho do processo e do cumprimento das obrigações.

Devolução Integral: Cenários de Absolvição

Se o acusado for absolvido definitivamente da acusação (ou seja, for declarado inocente ou o processo for arquivado sem condenação) e tiver cumprido todas as condições impostas pela fiança, o valor integral será devolvido, com as devidas atualizações.

Devolução Parcial: O Que Acontece em Caso de Condenação?

Em caso de condenação, o valor da fiança pode ser utilizado para pagar:

  • Custas processuais: Despesas relacionadas ao andamento do processo.
  • Multa: Pena pecuniária imposta na sentença.
  • Indenizações à vítima: Valores determinados pela justiça para reparar danos causados pelo crime.

Após a quitação desses débitos, o saldo restante (se houver) é devolvido ao acusado ou à pessoa que efetuou o pagamento da fiança.

Perda da Fiança: Quando o Dinheiro não Retorna?

O valor da fiança não será devolvido nas seguintes situações:

  • Quebra de fiança: Se o acusado descumprir as obrigações impostas (fugir, não comparecer a atos processuais, mudar de endereço sem comunicar, etc.).
  • Condenação com débitos superiores ao valor da fiança: Se as custas, multas e indenizações forem maiores que o valor da fiança, o dinheiro será integralmente utilizado e o restante deverá ser pago pelo condenado.

Desvendando Mitos e Verdades Comuns sobre a Fiança Criminal

É fundamental desmistificar algumas crenças populares para compreender corretamente a fiança.

  • Mito: "Paguei a fiança, significa que sou inocente ou serei absolvido!"

    • Verdade: A fiança permite que você responda ao processo em liberdade, exercendo seu direito à presunção de inocência enquanto o caso é julgado. Ela não é um atestado de inocência e o processo criminal continua normalmente, podendo resultar em condenação ou absolvição.
  • Mito: "Só quem tem dinheiro pode ser solto!"

    • Verdade: Embora a fiança seja geralmente financeira, a lei prevê que, em casos de extrema hipossuficiência (falta de recursos comprovada), o juiz pode dispensar a fiança e substituí-la por outras medidas cautelares, como o comparecimento periódico em juízo, sem custo monetário.
  • Mito: "A fiança é sempre um valor exorbitante!"

    • Verdade: Os valores da fiança são baseados em faixas legais (salários mínimos) e devem considerar a situação econômica do acusado. Embora possa ser alta para crimes mais graves, a lei permite ajustes e até a sua dispensa em casos de comprovada impossibilidade de pagamento.

A Importância do Advogado no Processo de Fiança Criminal

Em um momento tão delicado e complexo como o envolvimento em um processo criminal, a presença de um advogado é não apenas recomendável, mas essencial.

Orientação Jurídica Especializada: Seu Primeiro Passo

Um advogado especializado em direito criminal será seu primeiro e mais importante guia. Ele poderá:

  • Analisar o caso: Avaliar a situação jurídica, a natureza do crime e a viabilidade da fiança.
  • Identificar a possibilidade de fiança: Determinar se o crime é afiançável e qual autoridade (delegado ou juiz) é competente para arbitrá-la.
  • Explicar seus direitos e deveres: Esclarecer todas as condições e obrigações da fiança, evitando descumprimentos acidentais.

Atuação na Negociação e Arbitramento do Valor

O advogado tem um papel ativo na definição do valor da fiança:

  • Argumentar pela redução ou dispensa: Apresentar a comprovação de hipossuficiência ou outras circunstâncias que justifiquem um valor menor ou a substituição da fiança por outras medidas cautelares.
  • Impugnar valores excessivos: Caso o valor arbitrado seja considerado desproporcional ou inviável, o advogado pode recorrer para tentar sua revisão.

Garantindo o Cumprimento das Obrigações e Seus Direitos

Mesmo após a obtenção da fiança e a liberdade, o advogado continua sendo um elo fundamental:

  • Monitorar o processo: Acompanhar o andamento do caso, alertar sobre prazos e intimações, garantindo que o acusado compareça a todos os atos.
  • Defender o acusado em caso de suposta quebra de fiança: Caso haja alegação de descumprimento, o advogado atuará na defesa para evitar a perda do valor ou a decretação de prisão preventiva.

Conclusão: A Fiança Como Instrumento de Justiça e Liberdade

A fiança criminal é um instituto complexo, mas fundamental no sistema jurídico brasileiro. Longe de ser uma "compra de liberdade", ela é um mecanismo que equilibra a necessidade de garantir a ordem processual com o sagrado direito à liberdade e à presunção de inocência de todo cidadão. Compreender seu funcionamento é essencial para navegar os desafios do processo penal, assegurando que os direitos sejam respeitados em momentos de vulnerabilidade.

Em situações delicadas como as que envolvem a fiança criminal, ter ao seu lado um profissional qualificado faz toda a diferença para garantir a melhor defesa e o respeito aos seus direitos.

Perguntas Frequentes

O que é fiança criminal e qual sua finalidade?
A fiança criminal é uma garantia (geralmente financeira) exigida de uma pessoa acusada de um crime para que ela possa responder ao processo em liberdade, comprometendo-se a comparecer a todos os atos judiciais.
Quem decide o valor da fiança e quais são os critérios?
O valor da fiança é arbitrado pelo Delegado de Polícia (para crimes com pena máxima de até 4 anos) ou por um Juiz (para crimes com pena máxima superior a 4 anos ou em casos específicos).
O valor da fiança é devolvido ao final do processo?
Sim, a fiança é devolvida integralmente se o acusado for absolvido e tiver cumprido todas as obrigações. Em caso de condenação, o valor pode ser usado para pagar custas, multas e indenizações, sendo o saldo restante restituído.
Todos os crimes permitem o pagamento de fiança?
Não, crimes como tortura, tráfico ilícito de drogas, terrorismo, racismo e crimes hediondos e seus equiparados são inafiançáveis no Brasil.
É obrigatório ter um advogado para solicitar ou pagar a fiança?
Sim, a presença de um advogado é crucial para analisar o caso, orientar sobre a viabilidade da fiança, negociar o valor, defender os interesses do acusado e garantir o cumprimento das obrigações e direitos durante todo o processo.

Fontes e Referências

Este artigo foi pesquisado e verificado usando as seguintes fontes oficiais:

  1. advogadocriminaluberlandia.com
  2. angelofelipesilva.adv.br
  3. ademilsoncs.adv.br
  4. univali.br
  5. advocaciareis.adv.br
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  11. cnj.jus.br
  12. rochaadvogadosassociados.com.br
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  14. vlvadvogados.com
  15. wikipedia.org
  16. advocaciareis.adv.br
  17. tjdft.jus.br
  18. brunoianovadvocacia.com.br
  19. youtube.com
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