Direito de Família

Divórcio com Filhos: Guia Completo sobre Guarda e Pensão no Brasil

Equipe SolucioneAqui
2 de janeiro de 2026
10 min de leitura
Balance scales on a desk in a professional office with a blurred businesswoman in the background.
Foto: KATRIN BOLOVTSOVA/Pexels

Principais Pontos

  • A guarda compartilhada é a regra geral no Brasil, focando na divisão de responsabilidades parentais, não necessariamente no tempo igual de moradia.
  • A pensão alimentícia é calculada pelo binômio 'necessidade da criança' vs. 'possibilidade do pagador', cobrindo todas as despesas essenciais, e é obrigatória mesmo na guarda compartilhada.
  • O divórcio com filhos menores ou incapazes geralmente exige a via judicial, mas a Resolução CNJ nº 571/2024 permite o divórcio extrajudicial se guarda e pensão já foram homologadas judicialmente.
  • Decisões sobre guarda e pensão podem ser revistas judicialmente em caso de mudanças significativas nas circunstâncias, sempre visando o melhor interesse da criança.
  • Um advogado especialista em Direito de Família é indispensável, e a mediação familiar pode ser um caminho eficaz para acordos consensuais e menos traumáticos.

Analise Seu Caso Familiar

Verifique seus direitos em divórcio, guarda ou pensão alimentícia.

O fim de um casamento é, por si só, uma fase de grandes transformações e desafios emocionais. Mas quando há filhos envolvidos, essa transição se torna ainda mais complexa e delicada. Preocupações com quem ficará com as crianças, como será o sustento, a garantia do bem-estar e quais são os trâmites legais para tudo isso surgem em meio à turbulência. A desinformação, nesse momento, pode agravar a insegurança e dificultar decisões que são cruciais para o futuro dos pequenos.

Pensando nisso, criamos este guia completo. Nosso objetivo é descomplicar o processo de divórcio com filhos no Brasil, explicando de forma clara e acessível tudo sobre guarda, pensão alimentícia e as etapas legais envolvidas. O foco principal será sempre o melhor interesse da criança, um princípio fundamental que norteia todas as decisões judiciais nessas situações.

Entendendo o Divórcio com Filhos: Conceitos Essenciais

Antes de mergulharmos nos detalhes da guarda e pensão, é fundamental compreender o que é o divórcio em si e quais são suas modalidades, especialmente quando há filhos menores envolvidos.

O Que é Divórcio e Seus Tipos no Contexto dos Filhos

O divórcio é a dissolução legal do casamento, pondo fim à sociedade conjugal. No Brasil, ele pode ser de diferentes tipos, e a presença de filhos menores ou incapazes define boa parte do caminho a ser seguido:

  • Divórcio Consensual (ou Amigável): Ocorre quando o casal concorda com todos os termos do divórcio, incluindo a guarda dos filhos, regime de convivência e pensão alimentícia. É a modalidade mais rápida, econômica e menos desgastante emocionalmente. A participação de um advogado (ou advogados diferentes para cada cônjuge) é obrigatória, mesmo que haja consenso.
  • Divórcio Litigioso: Acontece quando os cônjuges não conseguem chegar a um acordo sobre um ou mais pontos do divórcio (guarda, pensão, partilha de bens, etc.). Nesses casos, a decisão final caberá ao juiz, após a apresentação de provas e argumentos de ambas as partes. É um processo mais demorado, custoso e, muitas vezes, mais doloroso para todos, especialmente para os filhos.
  • Divórcio Judicial: Tradicionalmente, quando há filhos menores ou incapazes, o divórcio obrigatoriamente precisa ser feito pela via judicial, seja ele consensual ou litigioso. Isso porque a justiça, através do Ministério Público, precisa zelar pelos interesses dos menores.
  • Divórcio Extrajudicial (em Cartório) com Filhos: Uma Nova Possibilidade: Graças à Resolução CNJ nº 571/2024, agora é possível realizar o divórcio em cartório mesmo com filhos menores ou incapazes, desde que as questões de guarda, regime de convivência e alimentos já tenham sido previamente resolvidas judicialmente. Isso significa que, se você e seu ex-cônjuge já têm essas questões homologadas por um juiz, o divórcio em si pode ser finalizado de forma mais rápida no cartório.

Guarda dos Filhos: Responsabilidade e Convivência Pós-Divórcio

A guarda dos filhos é um dos temas mais sensíveis e importantes em um divórcio. Ela define a responsabilidade sobre o cuidado, a educação e a tomada de decisões relevantes na vida da criança. Mais do que determinar com quem a criança vai morar, a guarda estabelece a forma como os pais irão continuar exercendo seu papel e participando ativamente do desenvolvimento de seus filhos após a separação. É crucial entender que a guarda visa, acima de tudo, garantir a estabilidade e o bem-estar dos pequenos.

Pensão Alimentícia: O Sustento dos Filhos em Detalhes

A pensão alimentícia é o valor pago por um dos genitores para contribuir com o sustento dos filhos. É importante ressaltar que 'alimentos' no sentido jurídico vão muito além da comida. A pensão alimentícia abrange todas as necessidades básicas da criança e do adolescente para seu pleno desenvolvimento, incluindo: moradia, saúde (plano de saúde, medicamentos), educação (mensalidades escolares, material didático), vestuário, transporte, lazer e cultura. É um direito fundamental dos filhos e um dever de ambos os pais, independentemente do tipo de guarda.

Os Tipos de Guarda e Suas Implicações Legais

A lei brasileira prevê diferentes modalidades de guarda, e cada uma delas tem suas particularidades e implicações para a vida dos filhos e dos pais.

Guarda Compartilhada: A Regra Geral e o Melhor Interesse da Criança

A guarda compartilhada é, desde 2014, a regra no Brasil. Ela busca garantir que ambos os pais participem ativamente da vida dos filhos, dividindo as responsabilidades sobre a criação e a tomada de decisões importantes (como escola, saúde, atividades extracurriculares). O objetivo é manter o vínculo dos filhos com ambos os genitores, evitando a sensação de abandono ou a sobrecarga de um só.

É fundamental desmistificar que guarda compartilhada significa que a criança passará o mesmo tempo na casa de cada pai. Não é uma divisão igualitária do tempo de moradia. A residência da criança pode ser fixada na casa de um dos pais (residência de referência), e o outro terá um regime de convivência estabelecido. O essencial é que a responsabilidade e o poder de decisão sejam compartilhados, estimulando o diálogo e a cooperação entre os pais em prol dos filhos.

Guarda Unilateral: Quando é Aplicada e Seus Fundamentos

A guarda unilateral ocorre quando um único genitor detém a responsabilidade exclusiva pela tomada de decisões e pelos cuidados diários da criança. Essa modalidade só é aplicada em situações excepcionais, quando se demonstra que a guarda compartilhada não é viável ou não atende ao melhor interesse da criança. Exemplos incluem casos de um dos pais morar em outra cidade ou país, histórico de negligência, abuso, alienação parental grave, dependência química ou outras circunstâncias que desqualifiquem um dos genitores para a participação ativa nas decisões.

Mesmo na guarda unilateral, o genitor não guardião (que não detém a guarda) tem o direito e o dever de supervisionar a educação e a criação dos filhos, além de ter um regime de convivência (visitas) estabelecido e a obrigação de contribuir com a pensão alimentícia.

Guarda Alternada: Entenda os Riscos e Por Que é Pouco Recomendada

A guarda alternada, onde a criança passa períodos iguais e alternados com cada genitor (uma semana na casa de um, uma semana na casa do outro, por exemplo), não é vista com bons olhos pela maioria dos especialistas em direito de família e psicologia infantil. Embora possa parecer uma divisão justa para os pais, ela pode ser extremamente prejudicial à estabilidade e ao desenvolvimento da criança, que se vê constantemente mudando de casa, de rotina, de escola e de amigos. A falta de um lar de referência fixo pode gerar insegurança, ansiedade e dificuldades de adaptação, sendo, por isso, pouco aplicada e geralmente evitada pelos tribunais.

O Princípio do Melhor Interesse da Criança: O Norte de Todas as Decisões

Em todos os tipos de guarda e em todas as decisões que envolvem filhos em um divórcio, há um princípio maior que serve de bússola para o Judiciário: o Melhor Interesse da Criança. Isso significa que a prioridade absoluta será sempre o bem-estar físico, psicológico, emocional e social dos filhos. As vontades dos pais, embora importantes, ficam em segundo plano quando confrontadas com o que é mais benéfico para o desenvolvimento sadio e equilibrado dos pequenos. É por isso que o juiz, o promotor e os advogados buscarão soluções que minimizem o impacto negativo do divórcio e promovam a proteção integral dos direitos da criança e do adolescente.

Pensão Alimentícia: Como é Calculada e Quem Tem Direito

A pensão alimentícia é um direito irrenunciável dos filhos e um dever de ambos os pais. Entender como ela é calculada é crucial para garantir o sustento adequado das crianças.

O Binômio Necessidade x Possibilidade: A Chave do Cálculo da Pensão

O valor da pensão alimentícia não é fixo e não existe uma tabela ou percentual legal pré-determinado (como "30% do salário"). Ele é definido com base no que o Direito chama de binômio necessidade x possibilidade:

  1. Necessidade do Alimentado (a criança): São avaliadas todas as despesas da criança para seu desenvolvimento integral. Isso inclui:
    • Moradia (aluguel, condomínio, IPTU, contas de consumo proporcionais);
    • Alimentação (compras de supermercado, refeições);
    • Saúde (plano de saúde, medicamentos, consultas médicas e odontológicas, terapias);
    • Educação (mensalidade escolar, material didático, uniformes, cursos extras);
    • Vestuário;
    • Transporte;
    • Lazer e cultura.
  2. Possibilidade do Alimentante (quem pagará a pensão): É analisada a capacidade financeira do pai ou da mãe que irá pagar a pensão. Isso envolve a renda mensal (salário, comissões, lucros, rendimentos de aluguéis, etc.), bens, despesas fixas e outras obrigações financeiras. A pensão não pode comprometer o próprio sustento do alimentante a ponto de inviabilizar sua vida.

O juiz buscará um equilíbrio entre essas duas variáveis. Em alguns casos, pode-se usar um percentual sobre os rendimentos líquidos do alimentante (geralmente entre 15% e 30% para um filho, mas pode variar), ou um valor fixo, especialmente se a renda for variável ou informal. É importante lembrar que o valor pode ser alterado futuramente se houver mudança significativa na necessidade da criança ou na possibilidade do alimentante.

Até Quando a Pensão é Devida? Prazos e Exceções

A regra geral é que a pensão alimentícia é devida até que o filho complete 18 anos de idade. No entanto, existem exceções importantes:

  • Estudantes: Se o filho estiver cursando ensino superior, técnico ou pré-vestibular e comprovar a necessidade, a pensão pode ser estendida até os 24 anos de idade ou até a conclusão dos estudos (o que ocorrer primeiro).
  • Incapacidade: Em casos de filhos com deficiência ou incapacidade que os impossibilite de prover o próprio sustento, a pensão pode ser devida por tempo indeterminado.

É importante que o filho maior de 18 anos que ainda precise da pensão entre com uma nova ação judicial para comprovar a necessidade da continuidade dos alimentos.

Pensão na Guarda Compartilhada: Sim, Ela Ainda é Obrigatória

Um mito comum é que na guarda compartilhada não há pagamento de pensão alimentícia. Isso não é verdade. A guarda compartilhada diz respeito à divisão de responsabilidades e decisões, não à exoneração do dever de sustento. Ambos os pais têm o dever de arcar com as despesas dos filhos, proporcionalmente à sua capacidade financeira.

Normalmente, o genitor que não tem a residência de referência (ou seja, onde a criança não mora a maior parte do tempo) continuará pagando a pensão alimentícia ao outro, ou ambos contribuirão diretamente para despesas específicas. O importante é que a responsabilidade financeira seja compartilhada de forma equitativa, conforme o binômio necessidade x possibilidade.

O Que Acontece se a Pensão Não For Paga? Consequências Legais

O não pagamento da pensão alimentícia é uma infração grave e possui severas consequências legais para o devedor (alimentante). As principais medidas que podem ser tomadas para cobrar a dívida incluem:

  • Execução de Alimentos: O credor (normalmente o genitor que detém a guarda ou o próprio filho maior de idade) pode entrar com uma ação de execução para cobrar os valores devidos.
  • Prisão Civil: Para dívidas de até 3 parcelas (as três últimas vencidas antes da execução e as que vencerem no curso do processo), a justiça pode decretar a prisão civil do devedor, que pode variar de 1 a 3 meses em regime fechado. É importante frisar que a prisão não quita a dívida, apenas força o pagamento.
  • Penhora de Bens: O patrimônio do devedor (contas bancárias, imóveis, veículos, parte do salário) pode ser penhorado para quitar a dívida.
  • Protesto do Débito: O nome do devedor pode ser incluído em cadastros de inadimplentes (Serasa, SPC), dificultando o acesso a crédito.
  • Suspensão da CNH e Passaporte: Em casos extremos, o juiz pode determinar a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e do passaporte do devedor, como forma de forçar o pagamento.

O Processo de Divórcio com Filhos: Passo a Passo e Modalidades Legais

Compreender as modalidades e etapas do divórcio é essencial para se preparar para o processo.

Divórcio Judicial: Quando é Obrigatório e Suas Etapas

Como vimos, o divórcio judicial é a via obrigatória quando há filhos menores ou incapazes, ou quando não há consenso entre os pais. Suas principais etapas são:

  1. Contratação de Advogado: É indispensável. Ele será o profissional que irá representá-lo, elaborar a petição inicial e guiar todo o processo.
  2. Petição Inicial: O advogado apresentará ao juiz o pedido de divórcio, detalhando as questões de guarda, pensão, regime de convivência e partilha de bens.
  3. Citação: O outro cônjuge será formalmente comunicado sobre o processo e terá um prazo para apresentar sua defesa ou proposta de acordo.
  4. Audiência de Mediação/Conciliação: O juiz tentará promover um acordo entre as partes, muitas vezes com a ajuda de mediadores. Se houver consenso, o processo pode ser finalizado rapidamente.
  5. Manifestação do Ministério Público: Em todos os casos com menores, o Ministério Público atua como fiscal da lei, verificando se os interesses da criança estão sendo devidamente protegidos.
  6. Instrução Processual (em casos litigiosos): Se não houver acordo, haverá produção de provas (depoimentos, documentos, perícias psicológicas, se necessário) para que o juiz possa formar sua convicção.
  7. Sentença: O juiz proferirá a decisão final sobre todas as questões levantadas no processo.
  8. Trânsito em Julgado: Após a sentença, as partes têm um prazo para recorrer. Se não houver recurso ou se todos os recursos forem julgados, a decisão se torna definitiva.
  9. Expedição do Mandado de Averbação: Documento enviado ao cartório para que o divórcio seja registrado na certidão de casamento.

Divórcio Extrajudicial com Filhos: Uma Nova Realidade com Resolução CNJ nº 571/2024

A Resolução nº 571/2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) trouxe uma importante inovação: agora é possível realizar o divórcio diretamente em cartório mesmo com filhos menores ou incapazes. Contudo, há uma condição essencial: as questões relativas à guarda, regime de convivência e pensão alimentícia dos filhos já devem ter sido resolvidas e homologadas previamente por um juiz. Isso significa que, se você já possui uma decisão judicial ou um acordo homologado sobre esses pontos, o divórcio em si pode ser concluído de forma mais ágil.

Vantagens: Mais rápido, menos burocrático e, geralmente, menos custoso do que o divórcio judicial completo. Desvantagens: Requer que as questões dos filhos já estejam judicialmente pacificadas. Não é aplicável em casos litigiosos.

Documentos Necessários para Dar Entrada no Divórcio com Filhos

Para iniciar o processo de divórcio, você precisará reunir uma série de documentos. A lista pode variar um pouco dependendo do caso, mas os principais incluem:

  • Certidão de casamento (atualizada);
  • Certidão de nascimento dos filhos (atualizadas);
  • Documentos de identidade e CPF dos cônjuges;
  • Comprovante de residência dos cônjuges e dos filhos;
  • Comprovantes de bens (matrícula de imóveis, documentos de veículos, extratos de investimentos, etc.);
  • Comprovantes de dívidas (se houver);
  • Comprovantes de renda dos cônjuges (holerites, declarações de IR, extratos bancários, etc.) para o cálculo da pensão;
  • Lista detalhada das despesas dos filhos (comprovantes de escola, plano de saúde, atividades, etc.).

Quanto Tempo Demora e Quanto Custa um Divórcio com Filhos?

Não há uma resposta única para essas perguntas, pois o tempo e os custos de um divórcio com filhos variam significativamente:

  • Tempo:
    • Divórcio Consensual Judicial: Pode levar de 3 a 6 meses, dependendo da Vara de Família e da agilidade do fórum.
    • Divórcio Extrajudicial (com questões dos filhos já resolvidas): Pode ser finalizado em algumas semanas no cartório.
    • Divórcio Litigioso: É o mais demorado, podendo se estender por anos, especialmente se houver disputas complexas sobre guarda, pensão ou partilha de bens.
  • Custos:
    • Honorários do Advogado: Variam conforme o profissional, a complexidade do caso e o tempo dedicado. É o custo mais significativo.
    • Custas Processuais: Taxas cobradas pelo Judiciário para o andamento do processo.
    • Custas de Cartório: No divórcio extrajudicial, há taxas de averbação e emissão de documentos.
    • Impostos: Em casos de partilha de bens, pode haver incidência de ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) ou ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis), dependendo da forma da partilha.

Alterações Pós-Divórcio: É Possível Mudar Guarda e Pensão?

As decisões tomadas no divórcio não são pétreas. A vida muda, e as circunstâncias também. Por isso, a lei prevê a possibilidade de revisar as condições de guarda e pensão alimentícia.

Revisão de Pensão Alimentícia: Quando e Como Solicitar a Alteração de Valores

A pensão alimentícia pode ser revista a qualquer momento, desde que haja uma mudança significativa na necessidade da criança ou na possibilidade do alimentante. Exemplos:

  • Aumento da Necessidade: A criança cresceu, entrou na adolescência, precisa de um tratamento de saúde específico, ingressou em uma escola mais cara, etc.
  • Diminuição da Necessidade: O filho começou a trabalhar e tem renda própria, por exemplo.
  • Aumento da Possibilidade: O alimentante recebeu uma promoção, teve um aumento de salário, ganhou na loteria, etc.
  • Diminuição da Possibilidade: O alimentante perdeu o emprego, sofreu uma doença grave, teve uma queda brusca de renda, teve mais filhos e comprova a impossibilidade de manter o valor anterior.

Para solicitar a revisão, é necessário ingressar com uma nova ação judicial, chamada Ação Revisional de Alimentos, com a assistência de um advogado, comprovando as alterações das circunstâncias.

Alteração do Regime de Guarda: Critérios para a Mudança

A mudança do regime de guarda (de unilateral para compartilhada, ou vice-versa) também é possível, mas exige a comprovação de que essa alteração é para o melhor interesse da criança. Um juiz só alterará a guarda se houver fatos novos e relevantes que justifiquem a mudança e demonstrem que a situação atual não está atendendo às necessidades do menor.

Exemplos de situações que podem justificar uma revisão:

  • Mudança de comportamento de um dos genitores que prejudique a criança;
  • Alienação parental comprovada;
  • O filho alcança idade para manifestar sua preferência (embora não seja determinante, a opinião de crianças e adolescentes é levada em conta);
  • A constatação de que o regime atual está causando prejuízos emocionais ou desenvolvimentistas à criança.

Assim como na revisão de pensão, é preciso entrar com uma ação judicial específica (Ação de Modificação de Guarda) com o auxílio de um advogado, apresentando as provas necessárias.

O Papel Essencial do Advogado e da Mediação Familiar no Divórcio com Filhos

Navegar pelo divórcio com filhos exige não apenas conhecimento legal, mas também sensibilidade e o apoio de profissionais qualificados.

A Importância do Advogado Especialista em Direito de Família

A presença de um advogado é obrigatória em qualquer processo de divórcio, especialmente quando há filhos menores. Um profissional especializado em Direito de Família é fundamental para:

  • Orientação Jurídica: Explicar seus direitos e deveres, os trâmites legais e as melhores estratégias para o seu caso específico.
  • Representação Legal: Defender seus interesses e os de seus filhos perante a justiça, elaborando petições, participando de audiências e buscando as melhores soluções.
  • Negociação: Auxiliar na construção de acordos justos e equilibrados, buscando sempre o consenso e a pacificação.
  • Prevenção de Problemas Futuros: Estruturar acordos de forma clara para evitar novas disputas.

Escolher um advogado com experiência e que demonstre empatia é um passo crucial para um processo mais tranquilo.

Mediação Familiar: Um Caminho para Acordos e a Paz Familiar

A mediação familiar é um método de resolução de conflitos onde um terceiro imparcial e neutro (o mediador) auxilia os pais a dialogarem e a construírem, juntos, soluções consensuais para as questões do divórcio (guarda, pensão, convivência).

Benefícios da Mediação:

  • Redução do Conflito: Ajuda a diminuir a hostilidade e a raiva entre os ex-cônjuges.
  • Foco nos Filhos: Prioriza o bem-estar das crianças, buscando acordos que as beneficiem.
  • Maior Satisfação: Acordos construídos pelos próprios pais tendem a ser mais cumpridos e duradouros.
  • Melhora da Comunicação: Ensina os pais a se comunicarem de forma mais eficaz, o que é vital para a criação conjunta após o divórcio.
  • Economia de Tempo e Dinheiro: Geralmente é mais rápida e menos custosa que um processo litigioso.

A mediação é uma excelente ferramenta para transformar um divórcio doloroso em um processo mais colaborativo e construtivo, especialmente quando o objetivo é preservar a harmonia familiar em prol dos filhos.

A Atuação do Ministério Público em Divórcios com Menores

Em todos os processos de divórcio que envolvem filhos menores ou incapazes, o Ministério Público (MP) tem atuação obrigatória. O promotor de justiça atua como "fiscal da lei" e guardião dos interesses dos menores. Ele analisa todos os acordos e decisões, emitindo pareceres para garantir que os direitos da criança à guarda, convivência e pensão alimentícia estejam sendo plenamente respeitados e que as soluções propostas estejam alinhadas com o princípio do melhor interesse da criança. Sua presença é uma camada extra de proteção para os filhos nesse momento de vulnerabilidade.

Conclusão

O divórcio com filhos é, inegavelmente, um dos momentos mais desafiadores na vida de uma família. Contudo, com a informação correta, o planejamento adequado e o suporte profissional necessário, é totalmente possível navegar por esse processo de forma mais tranquila e, acima de tudo, proteger o bem-estar e o desenvolvimento dos seus filhos.

Compreender as modalidades de divórcio, os diferentes tipos de guarda e suas implicações, a forma como a pensão alimentícia é calculada e as etapas legais é o primeiro e mais importante passo para um novo começo. Lembre-se sempre: priorizar o diálogo, buscar acordos consensuais e contar com o auxílio de um advogado especialista em direito de família e, se possível, da mediação familiar, são atitudes que farão toda a diferença para minimizar os impactos do divórcio na vida de todos, especialmente das crianças.

Perguntas Frequentes

A guarda compartilhada significa que meus filhos passarão o mesmo tempo com cada um de nós?
Não. A guarda compartilhada refere-se à divisão de responsabilidades e decisões sobre a vida dos filhos. A residência da criança pode ser fixada na casa de um dos pais, e o outro terá um regime de convivência estabelecido.
Existe um percentual fixo para o cálculo da pensão alimentícia no Brasil?
Não, a lei brasileira não estabelece um percentual fixo. O valor é definido com base no binômio necessidade da criança (despesas) e possibilidade do alimentante (renda), buscando um equilíbrio justo.
Até que idade meus filhos têm direito a receber pensão alimentícia?
A pensão é devida até os 18 anos. Se o filho estiver estudando (ensino superior, técnico ou pré-vestibular) e comprovar a necessidade, pode ser estendida até os 24 anos ou a conclusão dos estudos.
É possível fazer o divórcio em cartório se tivermos filhos menores?
Sim, desde a Resolução CNJ nº 571/2024, é possível realizar o divórcio extrajudicial com filhos menores, desde que as questões de guarda, convivência e pensão já tenham sido previamente resolvidas e homologadas por um juiz.
O que acontece se um dos pais não pagar a pensão alimentícia?
O não pagamento pode acarretar em execução judicial da dívida, penhora de bens e até prisão civil do devedor para as últimas 3 parcelas vencidas antes da execução e as que vencerem no curso do processo.
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