Direito Bancário

Estão Cobrando Dívida que Não é Minha: Guia Completo para Contestar e Proteger Seus Direitos

Equipe SolucioneAqui
1 de janeiro de 2026
8 min de leitura
Three women engaged in a business meeting, discussing charts and data in a modern office setting.
Foto: olia danilevich/Pexels

Principais Pontos

  • Reúna todas as provas da cobrança indevida, incluindo documentos pessoais e, se for fraude, um Boletim de Ocorrência (BO).
  • Entre em contato primeiramente com a empresa credora por canais oficiais, solicitando o cancelamento da dívida e a exclusão do seu nome de cadastros de inadimplentes.
  • Caso a empresa não resolva, procure órgãos de proteção ao consumidor como o Procon ou utilize a plataforma Consumidor.gov.br para mediação.
  • O Código de Defesa do Consumidor (CDC) é seu maior aliado, garantindo direitos como a restituição em dobro do valor pago indevidamente e a proibição de cobranças vexatórias.
  • Se as vias administrativas falharem, você pode acionar a Justiça, buscando uma Ação Declaratória de Inexistência de Débito e até indenização por danos morais em casos de negativação indevida.

Analise Seu Caso Bancário

Verifique se você tem direito a indenização ou revisão contratual.

Você abre a caixa de correio, o e-mail ou recebe uma ligação e se depara com uma cobrança. Pior: uma dívida que não é sua! Essa situação, infelizmente comum, causa não apenas estresse e indignação, mas pode levar à negativação indevida do seu nome, prejudicando seu crédito e sua paz de espírito. Mas não se desespere! Você não está sozinho e tem direitos. Este guia completo vai te mostrar o passo a passo de como contestar uma cobrança indevida, proteger seu nome e buscar a reparação que você merece.

Entenda o Que É uma Dívida Que Não é Sua (e Seus Tipos)

O Que é Cobrança Indevida?

De forma geral, cobrança indevida ocorre quando você é cobrado por algo que não deve. Isso pode incluir uma variedade de cenários, como:

  • Serviços não contratados: Você é cobrado por um plano de internet, TV ou telefone que nunca solicitou.
  • Duplicidade de cobrança: Uma mesma conta ou serviço é cobrado duas vezes.
  • Valores errados: A cobrança vem com um valor maior do que o devido pelo serviço contratado.
  • Cobrança após cancelamento: Você cancelou um serviço, mas as cobranças continuam chegando.

Dívida de Terceiro: O Caso Mais Comum da "Dívida que Não é Minha"

Este é o foco do nosso guia. A dívida de terceiro acontece quando a cobrança é direcionada a você, mas pertence a outra pessoa. As principais causas para isso são:

  • Fraude: Alguém utilizou seus dados pessoais (CPF, RG) para contratar serviços ou fazer compras em seu nome.
  • Uso indevido de dados: Um erro cadastral ou vazamento de informações pode levar seus dados a serem associados a uma dívida alheia.
  • Erro da empresa: A própria empresa pode cometer equívocos no registro das informações de seus clientes.

Negativação Indevida: A Consequência Mais Grave

A pior consequência de uma dívida que não é sua é ter seu nome negativado indevidamente em órgãos de proteção ao crédito como o Serasa e o SPC. Isso significa que seu nome vai parar em uma lista de "maus pagadores" sem que você realmente seja um. O impacto é devastador para sua vida financeira, dificultando a obtenção de crédito, financiamentos, empréstimos e até mesmo a abertura de contas bancárias.

Seus Direitos Inegociáveis Pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC)

O Código de Defesa do Consumidor (CDC) é a principal lei que te protege em situações de cobrança indevida. Ele é seu maior aliado e garante direitos importantes:

Art. 42 do CDC: A restituição em dobro e o fim das cobranças vexatórias

Este artigo é crucial! Ele estabelece que:

  • Restituição em dobro: Se você pagou uma dívida que não era sua, tem direito a receber o valor pago em dobro, com correção monetária e juros legais, salvo engano justificável da empresa (o que raramente se aplica em casos de fraude ou erro grosseiro).
  • Proibição de constrangimento na cobrança: Nenhuma empresa pode te expor ao ridículo, te constranger ou ameaçar para fazer uma cobrança. A dignidade do consumidor deve ser sempre respeitada.

Art. 42-A do CDC: A transparência que toda cobrança deve ter

Este artigo exige que, em qualquer documento ou comunicação de cobrança, o nome, endereço e número de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) do fornecedor do produto ou serviço sejam informados. Isso garante que você saiba exatamente quem está te cobrando e possa verificar a procedência.

Passo a Passo: Como Contestar uma Dívida Que Não é Sua

1. Reúna Todas as Provas (A Documentação é Sua Arma)

A organização é fundamental. Quanto mais documentos você tiver, mais forte será seu caso.

O que coletar:

  • Comprovantes da cobrança: Boletos, faturas, e-mails de cobrança, SMS, cartas, prints de ligações. Tudo o que demonstre que você está sendo cobrado.
  • Documentos pessoais: RG, CPF, comprovante de residência. Eles serão necessários para comprovar sua identidade.
  • Comprovantes de que a dívida não é sua: Extratos bancários que comprovem que você não fez o pagamento, contratos de serviços que você possui (para demonstrar que o serviço cobrado não é seu), prints de telas que mostrem que o serviço não foi contratado.
  • Em casos de fraude: Se você suspeita que seus dados foram usados indevidamente, faça um Boletim de Ocorrência (BO) imediatamente. Isso pode ser feito online em algumas delegacias virtuais ou presencialmente. O BO é uma prova fundamental de que houve um crime.

2. Contate a Empresa Credora (A Via Amigável Primeiro)

Antes de escalar, tente resolver diretamente com a empresa que está te cobrando.

Como e Onde:

  • Canais oficiais: Utilize o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), e-mail, chat online ou a ouvidoria da empresa.
  • Sempre priorize a comunicação por escrito ou com registro de protocolo. Isso cria um histórico. Guarde todos os protocolos, e-mails e prints de conversas.
  • Anote datas, horários e nomes dos atendentes com quem você conversou. Essas informações podem ser úteis futuramente.

O que solicitar:

  • Um comprovante da inexistência da dívida ou o cancelamento imediato da cobrança.
  • A exclusão do seu nome dos cadastros de inadimplentes (Serasa, SPC), caso ele já tenha sido negativado indevidamente.

3. Busque Ajuda de Órgãos de Proteção ao Consumidor (Escalando a Reclamação)

Se a empresa não resolver o problema em um prazo razoável (geralmente 5 a 10 dias úteis), é hora de buscar ajuda externa.

Procon:

  • Procure o Procon da sua cidade ou estado. É um órgão governamental de defesa do consumidor que pode intermediar a negociação e aplicar sanções às empresas. Leve toda a sua documentação e os registros das tentativas de contato com a empresa.

Consumidor.gov.br:

  • Esta é uma plataforma online mantida pelo governo que permite registrar sua reclamação diretamente com a empresa. Muitas empresas estão cadastradas e costumam responder rapidamente. É uma excelente ferramenta para mediação e acompanhamento do caso.

Órgãos Setoriais:

  • Para bancos e instituições financeiras: Reclame no Banco Central (Bacen).
  • Para empresas de telecomunicações (telefonia, internet, TV por assinatura): Registre sua reclamação na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

4. Acione a Justiça (Quando Tudo Mais Falha)

Se todas as tentativas administrativas não surtirem efeito, a via judicial é o próximo passo. A presença de um advogado é fundamental aqui.

Ação Declaratória de Inexistência de Débito:

  • Nesta ação, você pede a um juiz que declare formalmente que a dívida não existe, cancelando-a de vez.

Indenização por Danos Morais:

  • Quando é cabível: Principalmente em casos de negativação indevida do seu nome, o dano moral é presumido. O constrangimento público, a restrição de crédito e o aborrecimento que ultrapassa o mero dissabor são argumentos fortes. A simples cobrança indevida sem negativação nem sempre gera dano moral, mas a inclusão do nome em órgãos de proteção ao crédito, sim.

Restituição em Dobro:

  • Se você foi compelido a pagar a dívida indevida, pode reaver o valor em dobro, conforme o Art. 42 do CDC, com juros e correção monetária.

Juizado Especial Cível (JEC):

  • Para causas de até 20 salários mínimos, você pode entrar com a ação sem a necessidade de um advogado. Para causas entre 20 e 40 salários mínimos, a presença de um advogado é obrigatória. O JEC é conhecido por ter um processo mais simples, rápido e sem custas judiciais iniciais.

Prazos e Cuidados Essenciais

  • Agir Rápido é Fundamental: Embora não haja um prazo fixo para contestar dívidas indevidas na esfera administrativa, a agilidade facilita a resolução e evita maiores problemas, como a negativação do seu nome.
  • Fique Atento à Negativação: Verifique seu CPF regularmente em plataformas como Serasa e SPC para identificar qualquer registro indevido. Muitos serviços oferecem essa consulta gratuitamente.
  • Mantenha a Calma: A situação é estressante, mas manter a organização, guardar todos os comprovantes e seguir os passos é a melhor forma de resolvê-la. O desespero pode levar a decisões precipitadas.

Prevenção: Como Evitar Novas Cobranças Indevidas

Algumas medidas podem ajudar a evitar futuras dores de cabeça:

  • Monitore seu CPF e suas finanças regularmente: Consulte seus extratos bancários, faturas de cartão de crédito e serviços de proteção ao crédito para identificar qualquer movimentação ou cobrança estranha.
  • Proteja seus dados pessoais: Nunca compartilhe senhas, dados de cartão de crédito ou informações confidenciais por telefone ou e-mail, a menos que você tenha certeza da idoneidade do contato. Desconfie de ofertas muito vantajosas ou solicitações urgentes de dados.
  • Guarde comprovantes de pagamentos e contratos: Mantenha um arquivo organizado (físico ou digital) de seus comprovantes de pagamento e contratos de serviços por um tempo adequado. Isso pode ser crucial para comprovar a quitação de uma dívida ou a existência de um contrato.

Conclusão: Não Deixe Que Uma Dívida Alheia Prejudique Você

Enfrentar uma cobrança de dívida que não é sua é frustrante e desgastante, mas com as informações e ações corretas, você pode resolver o problema e defender seus direitos. Lembre-se que o conhecimento é sua maior ferramenta. Não hesite em buscar seus direitos e não permita que empresas ou fraudadores comprometam sua vida financeira. Se a situação persistir ou se sentir inseguro, buscar orientação profissional de um advogado pode ser o passo decisivo para solucionar seu problema de vez.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza uma cobrança de dívida indevida?
Uma cobrança é considerada indevida quando você é cobrado por algo que não deve, como serviços não contratados, duplicidade de cobrança, valores errados, ou quando a dívida pertence a outra pessoa (muitas vezes resultado de fraude ou uso indevido de dados).
Qual a primeira coisa que devo fazer ao receber uma cobrança de dívida que não é minha?
O primeiro passo é reunir todas as provas da cobrança (boletos, faturas, e-mails) e documentos pessoais. Em seguida, contate a empresa credora por escrito, exigindo o comprovante da inexistência da dívida e a exclusão do seu nome dos órgãos de proteção ao crédito, se houver negativação.
Tenho direito à restituição em dobro se eu paguei uma dívida indevida?
Sim. De acordo com o Art. 42 do Código de Defesa do Consumidor, se você pagou um valor indevido, tem direito à restituição em dobro do que foi pago, com correção monetária e juros legais, salvo engano justificável por parte do fornecedor.
Posso pedir indenização por danos morais se meu nome for negativado por uma dívida que não é minha?
A negativação indevida em órgãos como Serasa ou SPC por uma dívida que não é sua pode gerar direito a indenização por danos morais. A simples cobrança indevida sem negativação nem sempre é suficiente para gerar dano moral, mas a restrição de crédito sim.
A empresa se recusa a resolver. Onde mais posso buscar ajuda?
Se o contato com a empresa não resolver, procure o Procon da sua cidade, o Consumidor.gov.br ou, em casos específicos, órgãos reguladores como o Banco Central (para bancos) ou a Anatel (para telecomunicações). Em última instância, você pode acionar a Justiça, inclusive através do Juizado Especial Cível (JEC).
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