Direito de Família

Pai Não Paga Pensão Alimentícia? O Guia Completo Passo a Passo para Resolver e Garantir os Direitos do Seu Filho(a)

Equipe SolucioneAqui
2 de janeiro de 2026
9 min de leitura
A hand signs a formal contract with a pen on a wooden desk.
Foto: Pixabay/Pexels

Principais Pontos

  • A pensão alimentícia vai muito além da comida, abrangendo todas as necessidades essenciais para o desenvolvimento do filho(a).
  • Para cobrar judicialmente, é indispensável ter um 'título executivo', ou seja, uma sentença judicial ou um acordo de pensão homologado na justiça.
  • Existem dois caminhos principais para a cobrança: o rito da prisão (para dívidas mais recentes) e o rito da penhora de bens (para dívidas antigas ou como alternativa).
  • Mesmo em casos de desemprego ou prisão do devedor, a obrigação de pagar a pensão alimentícia não cessa.
  • Buscar a orientação de um advogado ou da Defensoria Pública é o passo mais crucial para garantir a efetividade da cobrança e a proteção dos direitos do seu filho(a).

Analise Seu Caso Familiar

Verifique seus direitos em divórcio, guarda ou pensão alimentícia.

Introdução: O Grito Silencioso da Inadimplência e a Busca por Justiça

A dor de ver um filho(a) com necessidades básicas não atendidas pela falta de pensão alimentícia é uma realidade dolorosa para muitas famílias brasileiras. Mais do que um valor em dinheiro, a pensão é um direito fundamental que garante dignidade, desenvolvimento e um futuro mais seguro para crianças e adolescentes.

Quando o pai (ou mãe) não cumpre sua obrigação de sustento, a situação pode parecer sem saída, gerando angústia, incerteza e uma sobrecarga imensa para o guardião que se vê responsável por arcar com todas as despesas sozinho.

Este guia completo foi criado para descomplicar esse processo. Aqui, você encontrará um caminho claro, passo a passo, para entender seus direitos e saber exatamente como agir para cobrar a pensão alimentícia atrasada e proteger o futuro do seu filho(a).

O Que é Pensão Alimentícia e Por Que Ela é Tão Importante?

Além da Comida: Entendendo a Abrangência dos "Alimentos"

Quando falamos em "alimentos" no direito de família, não nos referimos apenas à comida. Essa palavra abrange um conjunto de necessidades essenciais para a vida e o desenvolvimento digno de uma pessoa. Isso inclui moradia, vestuário, educação, saúde, lazer, transporte e, claro, a própria alimentação. A pensão alimentícia visa garantir que o filho(a) tenha acesso a tudo isso.

Quem Tem Direito a Receber Pensão?

O direito à pensão alimentícia não se restringe apenas a filhos menores de idade. Ele se estende a:

  • Filhos menores de idade: Sem dúvida, os principais beneficiários.
  • Filhos maiores estudantes: Podem receber pensão até os 24 anos, desde que comprovem estar frequentando curso técnico, graduação ou pós-graduação.
  • Filhos maiores incapazes: Aqueles que, por alguma deficiência ou doença, não conseguem prover o próprio sustento.
  • Ex-cônjuges/companheiros: Em situações específicas, quando um deles comprova dependência financeira e o outro tem capacidade de pagar, por um período determinado.
  • Pais idosos: Podem pedir pensão aos filhos se não tiverem como se sustentar.

O Binômio Necessidade x Possibilidade: Como é Definido o Valor?

O valor da pensão alimentícia não é fixo e é definido com base em dois pilares principais: a necessidade de quem vai receber e a possibilidade de quem vai pagar. O juiz irá analisar:

  • Necessidades do filho(a): Quais são as despesas mensais com educação, saúde, alimentação, lazer, etc.
  • Possibilidade do pai/mãe: Qual é a capacidade financeira do devedor (renda, bens, patrimônio, outras despesas).

É esse equilíbrio entre o que o filho precisa e o que o pai/mãe pode pagar que define o valor final da pensão.

O Pré-Requisito Essencial: O Título Executivo

Um ponto crucial: um acordo informal ou verbal sobre pensão alimentícia não é suficiente para a cobrança judicial. Para mover uma ação de execução, é obrigatório ter um título executivo. Isso significa uma sentença judicial que fixou o valor da pensão ou um acordo homologado por um juiz (feito em audiência ou por meio de divórcio/dissolução de união estável extrajudicial com assistência de advogado).

Sem esse documento, você não conseguirá cobrar a dívida judicialmente. Se você não tem um, o primeiro passo é buscar a fixação da pensão por meio de uma Ação de Alimentos.

Pai Não Paga a Pensão: Os Primeiros Passos Para Agir

Tentativa Amigável: Quando e Como Conversar (Se Possível)

Antes de medidas mais drásticas, se a comunicação for possível e segura, uma tentativa de diálogo pode ser útil. Às vezes, o atraso pode ser por um motivo temporário e um acordo pode ser alcançado. No entanto, é fundamental:

  • Priorize a segurança: Nunca se exponha a riscos emocionais ou físicos.
  • Documente tudo: Registre mensagens, e-mails ou qualquer comunicação sobre o atraso e a tentativa de acordo. Isso pode servir como prova no futuro.

Reunindo a Documentação Necessária: Sua Base de Evidências

Para iniciar qualquer processo legal, a documentação é sua maior aliada. Reúna os seguintes itens:

  • Documentos pessoais: RG, CPF, comprovante de residência (do guardião e do filho).
  • Certidão de nascimento do(a) filho(a).
  • Termo de acordo ou sentença judicial: O documento que fixou o valor da pensão.
  • Extratos bancários: Comprovando os valores recebidos e, principalmente, a ausência de depósitos ou depósitos incompletos.
  • Comprovantes de atraso: Se houver comunicações do pai sobre o não pagamento, guarde-as.
  • Dados do devedor: Endereço, telefone, local de trabalho, informações sobre bens (se tiver conhecimento).

Busque Ajuda Profissional: O Papel Crucial do Advogado ou da Defensoria Pública

A assistência jurídica especializada é indispensável neste processo. Um advogado saberá analisar seu caso, orientá-lo sobre o melhor caminho (rito da prisão ou penhora), preparar a documentação e representar seus interesses na justiça.

Como acessar a Defensoria Pública: Se você não tem condições de pagar um advogado particular, procure a Defensoria Pública do seu estado. Eles oferecem assistência jurídica gratuita para pessoas que preenchem os requisitos de renda. Agende um atendimento e leve toda a sua documentação.

A Ação de Execução de Alimentos: O Caminho Judicial Detalhado

O Que Acontece na Ação de Execução de Alimentos?

A Ação de Execução de Alimentos é o processo judicial específico para cobrar as parcelas de pensão que estão atrasadas e que já foram fixadas por um juiz ou em acordo homologado. É o momento de buscar o cumprimento forçado da obrigação.

Entendendo os Ritos de Cobrança: Prisão ou Penhora?

Existem dois ritos principais para a cobrança de pensão alimentícia atrasada, e a escolha do rito dependerá da urgência e do número de parcelas devidas:

Rito da Prisão Civil: A Urgência das Últimas Parcelas

Este rito é a medida mais drástica e visa forçar o pagamento imediato das parcelas mais recentes.

  • Para quais dívidas se aplica: Geralmente, para as três últimas parcelas de pensão vencidas antes do ajuizamento da ação e aquelas que se vencerem no decorrer do processo.
  • O procedimento: O pai devedor é intimado pelo juiz para pagar o valor total devido em 3 dias, ou apresentar uma justificativa para o não pagamento, ou comprovar que já pagou. É importante que a justificativa seja realmente relevante e comprovada, como um problema de saúde grave que o impediu de trabalhar, por exemplo.
  • Consequências da inadimplência: Se o pai não pagar, não justificar de forma convincente ou não comprovar o pagamento, o juiz poderá decretar sua prisão civil pelo período de 1 a 3 meses. A prisão ocorre em regime fechado, mas o pai é mantido em cela separada dos presos comuns. Importante: o pagamento das parcelas atrasadas é o que cessa a prisão.
  • Atenção: A prisão tem caráter coercitivo, ou seja, seu objetivo é forçar o pagamento, e não extingue a dívida. Mesmo após cumprir a prisão, o débito ainda existe e pode ser cobrado pelas parcelas mais antigas via penhora de bens.

Rito da Penhora e Expropriação de Bens: Cobrando Dívidas Mais Antigas e Garantindo o Futuro

Este rito é usado para cobrar parcelas mais antigas ou como alternativa/complemento ao rito da prisão, visando a apropriação de bens do devedor para quitar a dívida.

  • Para quais dívidas se aplica: Para as parcelas mais antigas (geralmente as que não se encaixam no rito da prisão) ou quando a prisão não é considerada a melhor estratégia para o caso.
  • O procedimento: O pai é intimado a pagar a dívida em 15 dias. Se não pagar, haverá a aplicação de uma multa de 10% sobre o valor devido e de honorários advocatícios também de 10%.
  • Consequências: Se não houver pagamento, o juiz poderá determinar uma série de medidas para encontrar bens e valores do devedor:
    • Bloqueio de contas bancárias (BacenJud): Dinheiro em contas correntes, poupança, investimentos.
    • Penhora de bens: Veículos (Renajud), imóveis, salários (com limite de 50% dos rendimentos líquidos), aluguéis, máquinas, joias, etc.
    • Desconto direto em folha de pagamento: Se o pai tiver emprego formal, o juiz pode oficiar a empresa para que o valor da pensão (e parte da dívida) seja descontado diretamente do salário e repassado ao filho. Esse desconto pode chegar a 50% dos rendimentos líquidos do devedor.

A Importância de Escolher o Rito Correto: A Estratégia do Seu Advogado

A escolha entre o rito da prisão ou da penhora (ou ambos, em momentos diferentes) é uma decisão estratégica. Seu advogado ou a Defensoria Pública irá analisar seu caso, a urgência da situação, a existência de bens do devedor e outras particularidades para definir qual é a melhor abordagem para garantir a efetividade da cobrança.

Outras Medidas e Consequências Para o Pai Devedor

Além dos ritos de execução, existem outras ferramentas que a justiça pode usar para pressionar o pai devedor:

Protesto Judicial da Dívida e Inclusão em Cadastros de Inadimplentes (SPC/Serasa)

O juiz pode determinar o protesto judicial da dívida e a inclusão do nome do pai nos cadastros de inadimplentes, como SPC e Serasa. Isso afeta seu crédito, dificultando a realização de compras parceladas, empréstimos, financiamentos e até mesmo a abertura de contas bancárias. O impacto na reputação e na vida financeira pode ser um forte motivador para o pagamento.

Medidas Atípicas: Suspensão de CNH e Passaporte (Quando Aplicável)

Em casos mais extremos, e quando se esgotam outras tentativas de cobrança, o juiz pode aplicar as chamadas "medidas atípicas". São decisões que visam coagir o devedor a pagar, como a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e do passaporte. Essas medidas são aplicadas com cautela, pois precisam ser proporcionais e não podem prejudicar o trabalho do devedor que usa o veículo para sustento, por exemplo.

A Obrigação Continua: Desemprego e Prisão Não São Desculpas

É fundamental entender que a responsabilidade alimentar é ininterrupta. O fato de o pai estar desempregado, doente ou até mesmo preso não o exime da obrigação de pagar a pensão. Em caso de mudança na sua capacidade financeira (como a perda do emprego), ele deve, por iniciativa própria, entrar com uma Ação Revisional de Alimentos para tentar diminuir o valor. Enquanto não houver uma nova decisão judicial, o valor original deve ser pago.

A Responsabilidade Subsidiária dos Avós: Uma Alternativa em Casos Extremos

Em situações onde o pai (ou a mãe) demonstra total impossibilidade de pagar a pensão alimentícia, seja por incapacidade financeira comprovada ou por paradeiro desconhecido, é possível acionar os avós (paternos e/ou maternos) para que assumam essa responsabilidade. Essa medida é subsidiária e complementar, ou seja, só é aplicada quando se esgotam as possibilidades de cobrança do devedor principal.

Conclusão: Não Desista dos Direitos do Seu Filho(a)

A obrigação alimentar é uma das mais sérias do nosso ordenamento jurídico, e o direito do seu filho(a) a um sustento digno é protegido por lei. Diante da inadimplência, é comum sentir-se frustrado e sobrecarregado, mas a justiça está ao seu lado e existem ferramentas eficazes para garantir o cumprimento dessa responsabilidade.

Não hesite em buscar ajuda profissional imediatamente. Cada dia importa na garantia do bem-estar e do desenvolvimento dos seus filhos. Agir agora é o primeiro passo para assegurar o futuro de quem você ama!

Perguntas Frequentes

A pensão é só para alimentação?
Não, a pensão alimentícia é muito mais abrangente. Ela inclui, além da alimentação propriamente dita, despesas com moradia, vestuário, educação, saúde, transporte, lazer e tudo o que for necessário para o desenvolvimento e bem-estar do alimentado.
A dívida de pensão prescreve?
Sim, a dívida de pensão alimentícia prescreve em 2 anos para cada parcela. No entanto, para filhos menores de 18 anos, a prescrição não corre. Isso significa que, enquanto o filho for menor de idade, todas as parcelas em atraso podem ser cobradas. Após os 18 anos, começa a contar o prazo de 2 anos para as parcelas que forem vencendo.
O que fazer se o pai alegar desemprego?
A obrigação de pagar a pensão alimentícia continua mesmo em caso de desemprego. Se houver desemprego ou redução da renda, o devedor deve entrar com uma Ação Revisional de Alimentos para tentar ajustar o valor. Caso não faça isso, a dívida permanece, e o juiz poderá determinar o pagamento de um percentual sobre o salário mínimo ou outras fontes de renda disponíveis.
Posso proibir as visitas se o pai não pagar a pensão?
Não. O direito de visita e o dever de pagar a pensão alimentícia são direitos distintos e incondicionais. Você não pode usar a falta de pagamento da pensão como justificativa para impedir as visitas, nem o pai pode alegar a falta de visitas para não pagar. Ambos os direitos devem ser garantidos de forma independente.
Meu filho completou 18 anos, ainda tem direito à pensão?
Sim, ele ainda pode ter direito. A pensão alimentícia pode ser mantida para filhos maiores de 18 anos que estejam comprovadamente cursando ensino técnico, graduação ou pós-graduação, geralmente até os 24 anos. Além disso, se houver alguma incapacidade que impeça o filho de prover o próprio sustento, o direito à pensão pode se estender por tempo indeterminado.
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