Direito de Família

Ex Não Deixa Ver Meu Filho? Regularize as Visitas e Garanta Seu Direito!

Equipe SolucioneAqui
2 de janeiro de 2026
10 min de leitura
Crop concentrated Asian male judge in formal clothes sitting using modern netbook while working in law office
Foto: Sora Shimazaki/Pexels

Principais Pontos

  • O direito de convivência é de ambos os pais e, principalmente, do filho; nenhum genitor pode impedi-lo injustificadamente.
  • A regulamentação de visitas, seja por acordo ou ação judicial, estabelece as condições claras para o convívio.
  • A alienação parental é uma prática séria com graves consequências legais para o genitor que a pratica.
  • Busque sempre a conciliação primeiro, mas não hesite em iniciar uma ação judicial com um advogado especialista se o diálogo falhar.
  • O não cumprimento de uma decisão judicial de visitas acarreta sanções, incluindo multas e até alteração da guarda.

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A Dor da Ausência e o Caminho para a Solução

A dor de ser impedido de ver seu filho é uma das experiências mais angustiantes para um pai ou mãe. A saudade aperta, a incerteza atormenta, e a sensação de impotência pode ser esmagadora. Você se pergunta: "Meu ex não deixa eu ver meu filho, o que fazer?" Infelizmente, essa é uma realidade para muitas famílias após a separação, mas a boa notícia é que a lei está do seu lado.

Este guia completo foi criado para te orientar, passo a passo, sobre como regularizar as visitas ao seu filho, garantindo o direito fundamental de convivência familiar. Entenda seus direitos, os caminhos legais e a importância de agir para reestabelecer o contato com quem você mais ama.

I. O Direito de Convivência: O Que Você Precisa Saber

A. Direito de Visita: É do Filho ou do Pai? Ambos!

O chamado "Direito de Visita" é, na verdade, um Direito de Convivência. Ele não pertence apenas aos pais, mas é, sobretudo, um direito da criança ou do adolescente de conviver com ambos os genitores e com sua família estendida. Essa convivência é fundamental para o desenvolvimento emocional, social e psicológico do menor. Por isso, nenhum genitor pode proibir, injustificadamente, o contato do filho com o outro pai ou mãe, pois estaria ferindo um direito da própria criança.

B. Regulamentação de Visitas: Organizando o Convívio

A Regulamentação de Visitas é o processo, judicial ou extrajudicial, que define de forma clara e objetiva como se dará o convívio entre o filho e o genitor que não detém a guarda principal. Ela é essencial para trazer estabilidade e previsibilidade para todos os envolvidos. Uma regulamentação de visitas estabelece, geralmente:

  • Dias e horários: Quando o filho passará tempo com o genitor não guardião (ex: fins de semana alternados).
  • Feriados: Como serão divididos os feriados importantes.
  • Férias escolares: Períodos em que o filho ficará com cada um dos pais.
  • Datas especiais: Aniversários, Dia das Mães/Pais.
  • Formas de contato: Ligações, videochamadas, etc.

C. Guarda Unilateral vs. Guarda Compartilhada: Impacto nas Visitas

É fundamental entender os tipos de guarda e como eles influenciam o regime de visitas:

  • Guarda Unilateral: Um dos genitores detém a guarda e a responsabilidade exclusiva pelas decisões sobre a vida do filho, enquanto o outro tem o direito de visitas e o dever de supervisionar as decisões.
  • Guarda Compartilhada: Ambos os genitores compartilham as responsabilidades e decisões sobre a vida do filho, embora o filho possa ter uma residência principal. Neste modelo, busca-se um convívio equilibrado, com visitas mais flexíveis e frequentes, muitas vezes sem a necessidade de um regime tão rígido como na guarda unilateral.

Mesmo na guarda compartilhada, onde a convivência é mais fluida, pode ser necessário regulamentar as visitas para evitar conflitos, principalmente se o diálogo não estiver funcionando.

D. O Princípio Essencial: O Melhor Interesse da Criança e do Adolescente

Em todas as decisões relacionadas a filhos, o princípio do melhor interesse da criança e do adolescente é soberano. Isso significa que juízes e demais profissionais envolvidos sempre focarão no que é mais benéfico para o desenvolvimento físico, psicológico e social do menor, independentemente dos desejos dos pais. Impedir a convivência, salvo em casos de risco comprovado, é quase sempre contrário a esse princípio.

II. Ex Não Deixa Ver Meu Filho: Os Primeiros Passos Legais

A. Tentativa de Acordo Amigável: O Diálogo é a Melhor Saída?

Antes de qualquer medida judicial, sempre vale a pena tentar uma solução amigável. A conciliação e a mediação familiar são excelentes ferramentas que podem ajudar os pais a chegarem a um consenso sobre o regime de visitas. As vantagens são inúmeras:

  • Menos desgaste emocional: Para os pais e, principalmente, para o filho.
  • Mais rápido: Geralmente mais ágil que um processo judicial.
  • Mais barato: Reduz custos com advogados e custas processuais.
  • Maior adesão: Acordos feitos em conjunto tendem a ser mais respeitados.

Mesmo um acordo feito extrajudicialmente pode ser formalizado perante um advogado e homologado por um juiz, ganhando validade legal e a força de um título executivo, caso precise ser cumprido no futuro.

B. Documentação Necessária: Prepare-se para o Processo

Se o diálogo não for possível ou falhar, é hora de se preparar para os próximos passos. Reúna a seguinte documentação:

  • Certidão de nascimento do filho.
  • Documentos de identificação (RG, CPF) do genitor que busca a regularização.
  • Comprovante de residência atualizado.
  • Provas do vínculo: Fotos, vídeos, mensagens, e-mails que demonstrem seu relacionamento com o filho.
  • Provas do impedimento: Mensagens, e-mails, áudios, testemunhas ou B.O.s que comprovem que o outro genitor está impedindo as visitas. Quanto mais evidências, melhor.

C. A Ação de Regulamentação de Visitas: Quando a Conciliação Não Funciona

Quando o acordo amigável se mostra inviável, a saída é a Ação de Regulamentação de Visitas. Trata-se de um processo judicial que busca uma decisão do juiz para definir o regime de convivência. Você precisará de um advogado especialista em Direito de Família para iniciar a ação.

1. Pedido de Tutela de Urgência: Agilidade para Casos Graves

Em situações onde o impedimento de visitas é severo e prolongado, causando grande prejuízo emocional à criança, o advogado pode solicitar uma Tutela de Urgência. Este pedido visa a uma decisão provisória do juiz, que pode determinar o início das visitas de forma imediata, antes mesmo do julgamento final do processo. É uma medida para garantir que o vínculo não seja ainda mais prejudicado pela morosidade judicial.

2. O Estudo Psicossocial: Avaliando o Ambiente Familiar

Em alguns processos de regulamentação de visitas, o juiz pode determinar a realização de um Estudo Psicossocial. Este estudo é conduzido por psicólogos e assistentes sociais forenses, que avaliam a dinâmica familiar, o relacionamento dos pais com o filho e o ambiente em que a criança vive. O objetivo é fornecer ao juiz informações técnicas e imparciais para que ele possa tomar a melhor decisão, sempre focando no bem-estar do menor.

III. Alienação Parental e Outras Dúvidas Comuns: Mitos e Verdades

A. Alienação Parental: Um Obstáculo Sério ao Vínculo

A Alienação Parental é uma prática grave, prevista em lei, que consiste na manipulação psicológica da criança por um dos genitores (ou terceiros), a fim de que ela desenvolva sentimentos negativos contra o outro genitor, rejeitando-o ou dificultando o contato. Isso é extremamente prejudicial ao desenvolvimento da criança e pode gerar graves consequências legais para o genitor alienador, como:

  • Advertência;
  • Multa;
  • Alteração da guarda;
  • Ampliação do regime de convivência em favor do genitor alienado;
  • Inversão da guarda.

B. "Posso proibir meu ex de ver o filho se ele não paga pensão?"

Não! Essa é uma dúvida muito comum, mas é fundamental entender que as obrigações de pagamento de pensão alimentícia e o direito de convivência são independentes. O fato de um genitor não cumprir com a obrigação de pensão não autoriza o outro a impedir as visitas. Para o caso da pensão, existem os meios legais de cobrança (ação de execução de alimentos), mas jamais o impedimento de convivência.

C. Visitação de Avós e Outros Parentes: Quem Mais Tem Direito?

Além dos pais, a lei reconhece o direito de convivência dos avós com os netos. Em caso de impedimento injustificado, os avós também podem ingressar com uma ação judicial para regularizar essas visitas, sempre visando o melhor interesse da criança. Outros parentes próximos, em situações específicas, também podem pleitear esse direito, mas a prioridade é dos pais e avós.

D. Visitação com Recém-Nascidos ou Crianças em Amamentação: Há Restrições?

Sim, a lei e a jurisprudência consideram a idade e as necessidades específicas da criança. Com recém-nascidos e bebês em amamentação exclusiva, o regime de visitas costuma ser mais cauteloso, priorizando o bem-estar e a rotina do bebê. As visitas podem ser inicialmente mais curtas, na residência da mãe ou em local neutro, e gradualmente ampliadas conforme o desenvolvimento da criança e as condições de amamentação permitirem. A decisão judicial sempre levará em conta o parecer profissional e o interesse da criança.

E. A Guarda Pode Mudar por Impedimento de Visitas?

Sim, em casos graves e recorrentes de impedimento injustificado de visitas, a guarda da criança pode ser alterada. A prática contumaz de impedir o convívio ou de praticar alienação parental pode ser considerada uma conduta prejudicial ao desenvolvimento da criança, justificando a modificação da guarda para o genitor que busca o contato e garante a convivência familiar. É uma medida extrema, mas possível.

F. Quanto Tempo Demora um Processo de Regulamentação de Visitas?

A duração de um processo judicial pode variar bastante. Fatores como a complexidade do caso, a necessidade de estudos psicossociais, a quantidade de provas, a disponibilidade de pautas no judiciário e até a comarca onde o processo tramita influenciam o tempo. Acordos podem agilizar significativamente o processo, enquanto a litigiosidade pode prolongá-lo por meses ou até anos. Um advogado especialista poderá dar uma estimativa mais precisa com base nas particularidades do seu caso.

IV. O Papel Crucial do Advogado Especialista em Direito de Família

A. Por Que um Advogado é Indispensável?

Navegar pelo Direito de Família pode ser complexo e emocionalmente desafiador. Um advogado especialista é indispensável para:

  • Conhecimento Legal: Entender e aplicar a legislação vigente (Estatuto da Criança e do Adolescente, Código Civil, etc.).
  • Defesa dos Direitos: Garantir que seus direitos e, principalmente, os direitos de seu filho sejam protegidos.
  • Estratégia Processual: Saber os melhores caminhos, prazos e procedimentos.
  • Suporte Emocional: Oferecer um apoio técnico e imparcial em um momento delicado.

B. Como o Advogado Pode Ajudar no Seu Caso

Um advogado de família pode auxiliar em diversas frentes:

  • Análise do caso: Avaliar sua situação, identificar os direitos e as melhores estratégias.
  • Coleta e organização de provas: Ajudar a reunir a documentação e as evidências necessárias.
  • Tentativas de mediação e conciliação: Atuar como intermediário para buscar um acordo amigável.
  • Representação judicial: Propor a ação de regulamentação de visitas, acompanhar o processo, participar de audiências e defender seus interesses perante o juiz.

V. Consequências do Descumprimento: O Que Acontece se a Decisão Não For Respeitada?

A. Sanções para Quem Impede as Visitas

Uma vez que o regime de visitas é estabelecido por uma decisão judicial, ele deve ser cumprido. O genitor que, injustificadamente, impede ou dificulta o cumprimento da decisão está sujeito a diversas sanções, que podem incluir:

  • Multas diárias (astreintes): Valor fixado pelo juiz para cada dia de descumprimento.
  • Advertências: Notificações formais do juiz.
  • Ampliação do tempo de convivência: Para compensar os dias perdidos.
  • Alteração da guarda: Como mencionado, em casos graves e reiterados, a guarda pode ser revertida para o outro genitor.
  • Indenização por danos morais: Em situações extremas, pode-se pleitear indenização pelo sofrimento causado.

B. Como Agir em Caso de Descumprimento da Decisão Judicial

Se a decisão judicial de visitas não estiver sendo respeitada, você deve:

  1. Documentar o descumprimento: Anote datas, horários, salve mensagens, e-mails, registre áudios ou vídeos que comprovem o impedimento.
  2. Comunicar seu advogado: Ele saberá os próximos passos para informar o juízo sobre o descumprimento.
  3. Pedido de Execução de Obrigação de Fazer: Seu advogado entrará com uma ação para forçar o cumprimento da decisão, solicitando as sanções cabíveis.

C. Revisão do Regime de Visitas: Quando Solicitar Alterações

É importante saber que o regime de visitas não é imutável. Se houver uma mudança significativa nas condições de vida da criança ou dos pais (ex: mudança de cidade, alteração de rotina, novas necessidades da criança), é possível solicitar a revisão do regime de visitas. Essa alteração também será submetida à análise judicial, sempre com foco no melhor interesse do menor.

Conclusão: Restabeleça o Vínculo, Garanta o Futuro

A separação não deve significar a perda do convívio com seu filho. O direito de convivência é um pilar fundamental para o desenvolvimento saudável da criança e para a manutenção dos laços familiares. Não se conforme com a ausência e não hesite em buscar seus direitos. Com o suporte jurídico adequado, é possível regularizar as visitas e retomar a plenitude da sua relação com seu filho.

Perguntas Frequentes

Posso proibir meu ex de ver o filho se ele não paga pensão?
Não. O direito à convivência e o dever de pagar pensão alimentícia são obrigações separadas. O não pagamento da pensão não justifica impedir o filho de conviver com o outro genitor, nem o impede de ter visitas regulamentadas.
Como identificar a alienação parental?
Alienação parental é a interferência na formação psicológica da criança ou adolescente promovida por um dos pais para que o filho repudie o outro genitor ou avós. Isso pode ser identificado por comportamentos como difamação do outro genitor, dificultar o contato ou inventar acusações.
Os avós também têm direito de visitar os netos?
Sim, os avós também possuem o direito de convivência e, em casos de impedimento injustificado, podem ingressar com uma ação judicial própria para regularizar as visitas, visando o bem-estar do neto.
Quanto tempo demora um processo para regularizar visitas?
A duração de um processo de regulamentação de visitas varia bastante, dependendo da complexidade do caso, da necessidade de perícias (como o estudo psicossocial) e da sobrecarga do judiciário. Tentativas de conciliação podem acelerar o processo.
Quais as consequências para quem impede as visitas após uma decisão judicial?
O descumprimento de uma decisão judicial de visitas pode levar a sanções como multas diárias (astreintes), advertências, ampliação do tempo de convivência do genitor impedido, e em casos graves e reiterados, até mesmo a alteração da guarda da criança.
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