Direito de Família

Divórcio Litigioso Sem Acordo: Guia Completo sobre Como Funciona e o Que Esperar

Equipe SolucioneAqui
2 de janeiro de 2026
10 min de leitura
Close-up of businessmen signing documents at a wooden table in an office.
Foto: Alena Darmel/Pexels

Principais Pontos

  • O divórcio litigioso é a via judicial para dissolver o casamento quando não há acordo sobre bens, filhos ou mesmo a decisão de se divorciar.
  • O processo envolve etapas como petição inicial, citação, audiências de conciliação, contestação, produção de provas e sentença judicial.
  • Questões cruciais como a partilha de bens, a guarda dos filhos, o regime de convivência e a pensão alimentícia são decididas pelo juiz, sempre priorizando o melhor interesse da criança.
  • É um processo que demanda mais tempo e recursos financeiros comparado ao consensual, mas é essencial para garantir a proteção dos direitos de todos os envolvidos.
  • A presença de um advogado de família especializado é indispensável para orientar e defender seus interesses em todas as fases do divórcio litigioso.

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O fim de um casamento é sempre um momento delicado, repleto de emoções e incertezas. Mas e quando, além da dor da separação, não há consenso entre o casal sobre como dividir o patrimônio, a guarda dos filhos ou até mesmo sobre a decisão de se divorciar? Nesses cenários desafiadores, o divórcio consensual se torna inviável, e surge a necessidade de recorrer a um caminho diferente: o divórcio litigioso.

Este guia completo irá desvendar o que é o divórcio litigioso, como ele funciona passo a passo, quais as questões cruciais são decididas judicialmente e o que você pode esperar desse processo, garantindo que seus direitos sejam protegidos e que você possa iniciar sua nova fase de vida com mais segurança e clareza.

O Que é Divórcio Litigioso e Quando Ele se Torna Necessário?

Divórcio Litigioso: A Definição para Quem Busca Entendimento

O divórcio litigioso é a modalidade de dissolução do casamento que ocorre pela via judicial quando não há acordo entre os cônjuges sobre um ou mais pontos importantes da separação. Diferente do divórcio consensual, que é amigável e pode ser feito extrajudicialmente (em cartório, se não houver filhos menores ou incapazes) ou judicialmente (com acordo), o litigioso é marcado pela ausência de consenso e, por isso, exige a intervenção de um juiz para decidir as questões pendentes.

Aqui, o papel do Poder Judiciário é justamente mediar e decidir, com base na lei e nas provas apresentadas, todos os aspectos que o casal não conseguiu resolver por conta própria.

Principais Motivos que Levam ao Divórcio Sem Acordo

Diversas situações podem levar um casal a um divórcio litigioso. As mais comuns incluem:

  • Falta de consenso sobre a partilha de bens: É um dos motivos mais frequentes. Pode haver desacordo sobre quais bens fazem parte do patrimônio comum, o valor desses bens, ou a forma como serão divididos. Um cônjuge pode, por exemplo, não querer vender um imóvel enquanto o outro insiste.
  • Divergências na guarda dos filhos, regime de convivência e pensão alimentícia: Quando há filhos menores ou incapazes, as decisões sobre quem terá a guarda, como serão as visitas (regime de convivência) e qual será o valor da pensão alimentícia são cruciais. Se os pais não conseguem entrar em um acordo que preserve o melhor interesse da criança, o divórcio se torna litigioso.
  • A recusa de um dos cônjuges em aceitar o divórcio: Embora a legislação brasileira permita o divórcio sem a necessidade de concordância do outro (ninguém é obrigado a permanecer casado), a recusa de um dos cônjuges em assinar o divórcio consensual automaticamente o transforma em litigioso, pois a decisão terá que ser imposta pelo juiz.
  • Outras disputas que impedem um acordo total: Questões como uso do sobrenome de casado(a), dívidas em comum, ou a permanência em um imóvel familiar podem ser pontos de atrito que levam à litigiosidade.

As Etapas do Divórcio Litigioso: Um Guia Processual Detalhado

Entender o caminho a ser percorrido é essencial para quem enfrenta um divórcio litigioso. Veja as principais fases:

1. A Indispensável Contratação de um Advogado Especializado

Para iniciar e conduzir um divórcio litigioso, a contratação de um advogado de família é não apenas importante, mas obrigatória para cada uma das partes. Este profissional será o responsável por defender seus interesses, orientá-lo(a) sobre seus direitos e deveres, e representá-lo(a) judicialmente.

Como escolher o profissional certo: Busque um advogado com experiência comprovada em direito de família, que seja empático, comunicativo e que você sinta confiança para compartilhar os detalhes da sua vida pessoal. Peça indicações e, se possível, agende uma consulta inicial para tirar suas dúvidas.

2. Petição Inicial: O Início Formal do Processo de Divórcio

A petição inicial é o documento que dá entrada formal ao processo na justiça. Elaborada pelo seu advogado, ela deve conter:

  • Fatos: Um relato detalhado da situação que levou ao divórcio e dos pontos de desacordo.
  • Fundamentos jurídicos: A base legal para seus pedidos.
  • Pedidos: O que você deseja que o juiz decida, como a decretação do divórcio, a forma da partilha de bens, a guarda dos filhos, o regime de convivência e a pensão alimentícia.

Documentos essenciais para iniciar a ação: Certidão de casamento, documentos pessoais (RG, CPF, comprovante de residência), certidão de nascimento dos filhos (se houver), comprovantes de bens e rendimentos (extratos bancários, holerites, escrituras de imóveis, documentos de veículos, etc.).

3. Citação do Cônjuge Réu e a Oportunidade da Audiência de Conciliação/Mediação

Após a petição inicial ser protocolada e aceita pelo juiz, o outro cônjuge (chamado de "réu") será citado. A citação é a notificação oficial de que um processo de divórcio foi iniciado contra ele(a), dando-lhe conhecimento dos termos da ação.

Geralmente, logo após a citação, é designada uma Audiência de Conciliação ou Mediação. Esta etapa é obrigatória e tem como objetivo tentar um acordo entre as partes, com a ajuda de um conciliador ou mediador (e muitas vezes com a presença do juiz). O foco é buscar soluções amigáveis para as questões pendentes.

  • Se houver acordo: O processo pode ser convertido para consensual, tornando-se mais rápido e menos desgastante. O acordo é homologado pelo juiz.
  • Se não houver acordo: O processo segue seu curso litigioso para as próximas etapas.

4. Contestação e a Fase de Produção de Provas

Se não houver acordo na audiência de conciliação, o cônjuge réu terá um prazo para apresentar sua contestação. Este é o documento onde ele(a) apresentará sua versão dos fatos, suas defesas e, se for o caso, suas próprias reivindicações (por exemplo, pedir a guarda dos filhos ou uma pensão).

Após a contestação, inicia-se a fase de produção de provas. Ambos os advogados coletarão e apresentarão evidências que sustentem os argumentos de seus clientes. Isso pode incluir:

  • Documentos: Contratos, extratos bancários, comprovantes de despesas, registros de imóveis, declarações de imposto de renda.
  • Testemunhas: Pessoas que possam comprovar fatos relevantes para o processo.
  • Perícias: Avaliação de bens (para determinar o valor de imóveis ou empresas), estudos psicossociais (para avaliar a melhor guarda e convivência com os filhos).

Importante: Quando há filhos menores de idade envolvidos, o Ministério Público obrigatoriamente intervém no processo para fiscalizar e garantir que os direitos e o melhor interesse da criança ou adolescente sejam preservados.

5. Audiência de Instrução e Julgamento

Esta é uma das etapas mais importantes. Na audiência de instrução e julgamento, as partes e suas testemunhas são ouvidas pelo juiz. É o momento de apresentar as provas colhidas, de forma oral, e de cada lado tentar convencer o juiz de seus argumentos.

Muitas vezes, mesmo nessa fase, o juiz pode tentar uma última rodada de acordo entre as partes, buscando um desfecho consensual.

6. A Sentença: A Decisão Final do Juiz

Após todas as provas serem apresentadas e as partes serem ouvidas, o juiz profere a sentença. Esta é a decisão judicial que encerra o processo em primeira instância, decretando o divórcio e definindo todas as questões que estavam em disputa (partilha de bens, guarda, pensão, etc.).

É importante saber que, caso uma das partes não concorde com a sentença, ainda é possível apresentar recursos para instâncias superiores (Tribunais de Justiça e, em casos específicos, Superior Tribunal de Justiça ou Supremo Tribunal Federal). Isso pode estender consideravelmente a duração do processo.

As Questões Chave Resolvidas no Divórcio Litigioso: Bens, Filhos e Pensão

No divórcio litigioso, o juiz terá que decidir sobre os pontos cruciais que o casal não conseguiu resolver.

Partilha de Bens no Divórcio Litigioso: Como o Regime de Casamento Influencia

A divisão do patrimônio é um dos aspectos mais complexos. O juiz considerará primeiramente o regime de bens escolhido pelo casal no casamento (comunhão parcial, comunhão universal, separação total, participação final nos aquestos).

  • Comunhão Parcial de Bens: O mais comum. Divide-se o que foi adquirido onerosamente durante o casamento.
  • Comunhão Universal de Bens: Divide-se todo o patrimônio, inclusive o que cada um tinha antes do casamento.
  • Separação Total de Bens: Geralmente não há partilha, pois cada um mantém seus próprios bens.
  • Participação Final nos Aquestos: Durante o casamento, os bens são individuais, mas na separação, os bens adquiridos onerosamente são partilhados.

O processo pode envolver a avaliação de imóveis, empresas, investimentos e outros bens para garantir uma divisão justa. Em alguns casos, a partilha pode ser tão complexa que é decidida em uma ação de partilha separada após o divórcio ser decretado, para não atrasar a dissolução do vínculo matrimonial.

Guarda dos Filhos e Regime de Convivência: O Melhor Interesse da Criança em Foco

A decisão sobre a guarda e o regime de convivência (antigo "regime de visitas") é sempre guiada pelo melhor interesse da criança ou adolescente. O juiz poderá decidir por:

  • Guarda Compartilhada: É a regra no Brasil. Ambos os pais têm direitos e deveres sobre a criação dos filhos, mesmo morando em casas separadas. As decisões importantes são tomadas em conjunto.
  • Guarda Unilateral: Menos comum, ocorre quando um dos pais assume a responsabilidade exclusiva pelas decisões sobre os filhos. O outro terá direito a visitas e deverá pagar pensão.

Para chegar a uma decisão, o juiz pode solicitar laudos psicossociais (avaliações feitas por psicólogos e assistentes sociais) e sempre levará em conta a opinião do Ministério Público, que atua como fiscal da lei em prol dos menores.

Pensão Alimentícia: Critérios de Necessidade vs. Possibilidade

A fixação da pensão alimentícia é uma das partes mais sensíveis do divórcio. Ela pode ser destinada aos filhos e, em casos excepcionais, a um dos ex-cônjuges que comprove grande necessidade e incapacidade de se sustentar (geralmente por tempo determinado).

O valor da pensão é determinado pelo juiz com base em dois critérios fundamentais:

  • Necessidade de quem recebe: As despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, lazer dos filhos ou do ex-cônjuge.
  • Possibilidade de quem paga: A capacidade financeira do genitor ou ex-cônjuge em arcar com a pensão, sem comprometer seu próprio sustento.

O juiz buscará um equilíbrio justo entre esses dois fatores para determinar o valor e a forma de pagamento da pensão.

Quanto Tempo Demora e Quais os Custos do Divórcio Litigioso?

Estas são perguntas frequentes e importantes para quem está passando por esse processo.

Duração do Divórcio Litigioso: Expectativas Realistas

A duração de um divórcio litigioso é bastante variável, podendo levar de 6 meses a 3 anos ou mais. Não há um prazo fixo, pois diversos fatores influenciam:

  • Complexidade do caso: Quantidade de bens a partilhar, número de filhos, existência de disputas muito acirradas.
  • Volume de provas: A necessidade de perícias, muitas testemunhas, etc.
  • Número de recursos: Se houver recursos da sentença, o processo pode se arrastar por anos em instâncias superiores.
  • Carga de trabalho do judiciário: A agilidade dos tribunais pode variar por região e período.

Custos Envolvidos: Honorários, Custas Judiciais e Outras Despesas

O divórcio litigioso geralmente envolve custos mais elevados do que o consensual:

  • Honorários advocatícios: São os valores pagos ao seu advogado. No litigioso, por ser um processo mais complexo e demorado, os honorários tendem a ser mais altos e podem ser negociados de diversas formas (fixo, por etapas, percentual sobre os bens, etc.).
  • Custas judiciais: São taxas pagas ao Estado para o andamento do processo. O valor varia conforme o estado e o valor da causa (o montante dos bens envolvidos na disputa).
  • Despesas adicionais: Podem incluir valores com perícias (avaliadores de imóveis, psicólogos), diligências, taxas para emissão de certidões, etc.

É importante saber que, para pessoas que comprovem insuficiência de recursos, é possível solicitar a gratuidade de justiça. Se concedida pelo juiz, a parte fica isenta do pagamento das custas judiciais e de algumas despesas processuais.

É Possível Transformar um Divórcio Litigioso em Consensual?

Sim, é totalmente possível e muitas vezes desejável transformar um divórcio litigioso em consensual, mesmo após o processo ter sido iniciado na justiça.

A Busca Pelo Acordo em Todas as Fases do Processo

Em qualquer momento do processo, se as partes conseguirem chegar a um acordo sobre todas as questões pendentes, os advogados podem peticionar ao juiz informando a conciliação. O juiz analisará os termos do acordo e, se estiver tudo em conformidade com a lei e, principalmente, com o melhor interesse dos filhos (se houver), ele será homologado.

Os benefícios da conversão para consensual são significativos:

  • Menor custo: Redução de honorários e custas.
  • Menor desgaste emocional: Evita o prolongamento de discussões e o desgaste inerente a um processo judicial.
  • Maior rapidez: O processo é finalizado muito mais rapidamente.
  • Maior autonomia: As partes constroem a própria solução, o que geralmente resulta em acordos mais duradouros e satisfatórios.

Conclusão: Navegando Pelo Divórcio Litigioso com Segurança Jurídica

Embora o divórcio litigioso seja um caminho mais complexo e desafiador do que o consensual, ele é uma ferramenta legal fundamental para assegurar que os direitos de todas as partes, especialmente os dos filhos, sejam garantidos quando o consenso entre o casal não é possível. É a justiça que oferece o meio para resolver impasses intransponíveis sobre a partilha de bens, a guarda, a convivência e a pensão.

Navegar por esse processo exige conhecimento e estratégia. Por isso, ter um advogado de família experiente e de sua confiança ao seu lado é de suma importância. Ele será o guia essencial para orientá-lo(a) por cada etapa, defender seus interesses, oferecer clareza em meio à complexidade jurídica e trabalhar para o melhor desfecho possível, permitindo que você possa reconstruir sua vida com a segurança e a paz que merece.

Perguntas Frequentes

O que é divórcio litigioso e quando ele é necessário?
Divórcio litigioso é a modalidade de separação judicial que acontece quando os cônjuges não conseguem chegar a um acordo sobre questões como partilha de bens, guarda dos filhos, pensão alimentícia ou até mesmo sobre a decisão de se divorciar. Nesses casos, a decisão final é tomada por um juiz.
Quanto tempo dura um divórcio litigioso?
A duração de um divórcio litigioso é variável e depende de fatores como a complexidade do caso, o volume de provas, a existência de recursos e a carga de trabalho do judiciário. Pode levar de 6 meses a 3 anos ou mais.
É obrigatório ter advogado para divórcio litigioso?
Sim, a contratação de um advogado de família é obrigatória para cada uma das partes em um divórcio litigioso. O advogado será responsável por defender os interesses do seu cliente, orientá-lo sobre seus direitos e deveres e representá-lo judicialmente.
É possível transformar um divórcio litigioso em consensual?
Sim, é totalmente possível e desejável converter um divórcio litigioso em consensual a qualquer momento do processo, caso as partes consigam chegar a um acordo. Isso resulta em um processo mais rápido, menos custoso e com menor desgaste emocional.
Como é feita a partilha de bens no divórcio litigioso?
A partilha de bens é feita pelo juiz com base no regime de bens adotado pelo casal (comunhão parcial, universal, separação total, etc.). O processo pode envolver avaliação de bens e busca pela divisão justa, podendo, em casos complexos, ser decidida em uma ação separada.
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