Direito Criminal

Crime de Estelionato: O Guia Completo para Entender, Prevenir e se Defender

Equipe SolucioneAqui
6 de janeiro de 2026
9 min de leitura
Side view of positive young Sikh man in shirt and turban working on laptop at home while wife leaning on chair behind
Foto: Ketut Subiyanto/Pexels

Principais Pontos

  • O estelionato (Art. 171 do Código Penal) ocorre quando alguém obtém vantagem ilícita, causando prejuízo a outrem, ao induzir ou manter a vítima em erro por meio de fraude, exigindo sempre a intenção (dolo) do criminoso.
  • As penas variam de 1 a 5 anos de reclusão e multa, podendo ser agravadas para crimes eletrônicos (4 a 8 anos), ou quando a vítima é idosa, vulnerável ou a fraude é contra entidades públicas.
  • Desde o Pacote Anticrime, a regra geral é que o processo por estelionato só avança se a vítima manifestar interesse em processar o criminoso (representação), com exceções para casos específicos como vítimas crianças ou idosos.
  • É fundamental diferenciar estelionato de outros crimes patrimoniais: no estelionato a vítima entrega o bem voluntariamente (enganada), diferente do furto (subtração sem consentimento) ou apropriação indébita (posse inicial legítima).
  • Se for vítima, aja rapidamente: registre um Boletim de Ocorrência, contate instituições financeiras, reúna todas as provas e busque orientação de um advogado especializado para auxiliar na investigação e recuperação de valores.

Aviso Legal: Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica profissional. Consulte um advogado para seu caso específico.

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Questões criminais requerem acompanhamento especializado.

Introdução: A Arte da Enganação e Seus Perigos Legais

Você já ouviu falar em "golpe do 171"? Esse termo popular, que remete ao Artigo 171 do Código Penal, é a forma como o Brasil se refere ao crime de estelionato – um delito astuto que se esconde em diversas situações do dia a dia, da internet às interações pessoais. Mas o que exatamente caracteriza o estelionato? Quais as consequências legais para quem o pratica e, mais importante, como você pode se proteger e agir caso seja vítima? Neste guia completo, desvendaremos todos os mistérios desse crime, desde sua definição legal e suas penas até as estratégias de defesa e as melhores formas de prevenção. Prepare-se para entender o estelionato e blindar-se contra suas armadilhas!

1. O Que é Estelionato? Desvendando o Artigo 171 do Código Penal

A Definição Legal e Seus Quatro Pilares Essenciais

O estelionato é um crime contra o patrimônio, tipificado no Artigo 171 do Código Penal Brasileiro. Sua essência está na astúcia: o criminoso engana a vítima para obter algo de forma ilícita. A lei descreve o estelionato como a conduta de "Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento".

Para que o crime seja configurado, quatro elementos fundamentais precisam estar presentes:

  • Vantagem Ilícita: É o benefício que o criminoso busca, que pode ser dinheiro, bens, serviços ou qualquer outro tipo de ganho que não seria obtido legalmente.
  • Prejuízo Alheio: Corresponde ao dano financeiro, patrimonial ou moral que a vítima sofre em decorrência da ação do estelionatário.
  • Uso de Meio Fraudulento: É a ferramenta utilizada pelo golpista para enganar a vítima. Pode ser um artifício (uma encenação, uma farsa), um ardil (uma conversa enganosa, uma artimanha disfarçada) ou qualquer outro meio fraudulento (como documentos falsos, identidades falsas, manipulação digital, etc.).
  • Indução ou Manutenção da Vítima em Erro: Este é o ponto crucial. A vítima é levada a acreditar em algo que não é verdade (indução ao erro) ou é mantida nessa crença errônea, de modo que ela, voluntariamente, entrega seus bens ou valores ao estelionatário, pensando estar fazendo um bom negócio ou cumprindo uma obrigação.

A Intenção (Dolo) Por Trás do Crime: Distinguindo do Inadimplemento Civil

O estelionato é um crime predominantemente doloso, ou seja, exige a intenção clara e prévia do criminoso de enganar a vítima para obter a vantagem ilícita. Sem essa intenção, o ato não se configura como estelionato.

É essa característica que o diferencia, por exemplo, de um mero inadimplemento contratual, que é um problema na esfera civil. Se alguém contrai uma dívida e, por dificuldades financeiras, não consegue pagá-la, isso é um problema civil (uma dívida). Mas se essa pessoa, desde o início, simula uma intenção de pagar, usa documentos falsos ou uma história enganosa apenas para obter o dinheiro sem jamais ter a intenção de honrar o compromisso, aí sim podemos estar diante de um estelionato. A diferença está no dolo (intenção de fraudar) ser anterior ou concomitante à prática da conduta.

2. Quais as Penas para o Crime de Estelionato?

As consequências para quem pratica o estelionato variam conforme a gravidade da conduta e as particularidades do caso. Entender as penas é fundamental tanto para a vítima quanto para o acusado.

Pena Base e Multa: O Estelionato Simples

Conforme o caput do Art. 171 do Código Penal, a pena para o estelionato simples é de reclusão de um a cinco anos e multa. Muitos se perguntam: o estelionato "dá cadeia"? Sim, pode dar. Contudo, em casos de pena mínima (1 ano), é comum que a reclusão seja substituída por penas restritivas de direitos (como prestação de serviços à comunidade) ou que o regime inicial de cumprimento seja o aberto. A decisão final dependerá de fatores como a primariedade do réu, os antecedentes criminais, o valor do prejuízo e as circunstâncias do crime.

Estelionato Privilegiado: Menor Prejuízo, Menor Rigor

O parágrafo 1º do Art. 171 prevê o chamado estelionato privilegiado. Se o criminoso é primário (não tem condenações anteriores) e o prejuízo é de pequeno valor (geralmente considerado até um salário mínimo na época do fato), a pena pode ser atenuada. Nesses casos, o juiz pode:

  • Substituir a pena de reclusão pela de detenção (que geralmente permite regime semiaberto ou aberto desde o início).
  • Diminuí-la de um a dois terços.
  • Aplicar somente a pena de multa.

Aumentos de Pena: Estelionato Majorado e Qualificado

Em algumas situações, a lei prevê que a pena seja aumentada ou aplicada em dobro, tornando o crime mais grave:

  • Contra Entidades Públicas (§3º): Se o estelionato é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência, a pena é aumentada em um terço. Um exemplo comum são as fraudes contra o INSS, onde o estelionatário obtém benefícios indevidos.
  • Contra Idoso ou Vulnerável (§4º): Recentemente, a legislação tornou mais rigorosa a pena quando a vítima é idosa (maior de 60 anos) ou vulnerável. Nesses casos, a pena é aplicada em dobro, refletindo a maior reprovabilidade da conduta de se aproveitar da fragilidade alheia. A vulnerabilidade pode ser por doença, deficiência mental, etc.

Estelionato Eletrônico: Penas Mais Severas na Era Digital

Com o avanço da tecnologia, surgiram novas modalidades de estelionato, especialmente os praticados por meios eletrônicos (internet, redes sociais, aplicativos). O Código Penal foi atualizado para prever penas mais severas para esses casos. A pena para o estelionato eletrônico é de reclusão de 4 a 8 anos e multa. Além disso, se o crime é cometido com o uso de servidor mantido fora do Brasil (o que dificulta a identificação e persecução), a pena pode ser aumentada de um a dois terços.

3. Ação Penal no Estelionato: Representação da Vítima é a Regra

A Mudança Pós-Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019)

Uma das mudanças mais significativas em relação ao crime de estelionato veio com o "Pacote Anticrime" (Lei nº 13.964/2019), que alterou a natureza da ação penal. Anteriormente, a ação era pública incondicionada, ou seja, o Ministério Público podia iniciar o processo mesmo sem a vontade da vítima. Agora, a regra geral é que a ação penal é condicionada à representação da vítima.

O que isso significa? Que, para que o Ministério Público dê andamento ao processo criminal contra o estelionatário, a vítima precisa manifestar expressamente seu interesse em ver o criminoso processado. Essa manifestação pode ser feita no próprio Boletim de Ocorrência ou em um termo posterior. Se a vítima não "representar" (não manifestar interesse), o processo não poderá ser iniciado, a menos que se enquadre nas exceções abaixo.

Exceções: Quando a Ação é Pública Incondicionada

Mesmo com a mudança, existem situações em que a ação penal continua sendo pública incondicionada, ou seja, o Ministério Público pode agir sem a necessidade da representação da vítima. Isso ocorre em casos em que a vulnerabilidade da vítima é presumida ou quando o interesse público é evidente:

  • Vítima é a Administração Pública: Seja direta (União, Estados, Municípios) ou indireta (autarquias, fundações públicas, empresas públicas).
  • Vítima é criança ou adolescente: Pessoas com idade inferior a 18 anos.
  • Vítima é pessoa com deficiência mental: Que não tem discernimento para se proteger.
  • Vítima é maior de 70 anos de idade ou incapaz: Pessoas idosas ou legalmente incapazes de manifestar sua vontade de forma plena.

Nestes casos, o processo criminal pode ser instaurado independentemente da representação da vítima, pois a lei presume a necessidade de proteção e o interesse social na punição do criminoso.

4. Estelionato vs. Outros Crimes Patrimoniais: Não Confunda!

A distinção entre estelionato e outros crimes contra o patrimônio é crucial, pois as consequências legais são diferentes. A principal diferença reside na forma como a vítima perde seu bem.

Estelionato x Furto Mediante Fraude

Ambos envolvem fraude, mas a forma como o bem é subtraído é o que os diferencia:

  • Estelionato: A vítima é enganada e, por conta desse engano, voluntariamente entrega o bem ao criminoso. Ela pensa que está fazendo um negócio legítimo, emprestando algo, ou cumprindo uma obrigação, mas está sendo iludida. Exemplo: O golpista se apresenta como vendedor de um produto inexistente, e a vítima paga por ele.
  • Furto Mediante Fraude: A fraude é usada para diminuir a vigilância da vítima, facilitando a subtração do bem sem que ela perceba (ou sem o seu consentimento). A vítima não entrega o bem; o criminoso o subtrai. Exemplo: Alguém distrai o caixa de uma loja enquanto um comparsa furta produtos, ou um "mão leve" usa um truque para roubar a carteira de alguém sem que a vítima perceba.

A chave é: no estelionato, a vítima "dá" o bem; no furto mediante fraude, o criminoso "pega" sem que a vítima perceba a subtração.

Estelionato x Apropriação Indébita

Esses dois crimes também são frequentemente confundidos:

  • Estelionato: Como já vimos, a posse do bem é obtida por meio da fraude. O criminoso engana a vítima desde o princípio para ter o bem em suas mãos.
  • Apropriação Indébita: A posse inicial do bem é legítima. Ou seja, a vítima entrega o bem ao criminoso de forma lícita (por exemplo, empresta um carro, dá um objeto para conserto, ou confia um valor para uma finalidade específica). O crime acontece quando o criminoso, que tinha a posse legal do bem, se recusa a devolvê-lo ou o utiliza para fins diversos do combinado, agindo como se fosse o dono, com a intenção de não mais restituir. A fraude não está na obtenção da posse, mas na posterior retenção indevida.

5. Como Identificar e Se Proteger de Golpes de Estelionato Comuns

Os estelionatários são mestres no disfarce e na manipulação, e seus golpes evoluem constantemente. Estar atento às táticas mais comuns é a melhor forma de prevenção.

Táticas Comuns de Estelionatários: Exemplos Práticos

  • O clássico "golpe do bilhete premiado": A vítima é abordada por pessoas que simulam ter um bilhete de loteria premiado, mas que não podem resgatá-lo por algum motivo (geralmente uma história triste e inverídica). Pedem dinheiro em troca do bilhete, que é falso, prometendo uma parte do "prêmio" em troca. A vítima entrega o dinheiro e fica sem nada.
  • Falsas propostas de emprego ou investimento: Ofertas de emprego que pedem pagamentos antecipados por cursos, materiais ou taxas, ou promessas de investimentos com retornos absurdamente altos e rápidos. Após o pagamento, o golpista desaparece.
  • Golpes online (phishing, smishing, clonagem de WhatsApp):
    • Phishing/Smishing: Mensagens falsas por e-mail (phishing) ou SMS (smishing) que se passam por bancos, empresas ou órgãos do governo, solicitando dados pessoais, senhas ou clicando em links maliciosos que roubam informações.
    • Clonagem de WhatsApp: O golpista se passa por um conhecido, pedindo dinheiro emprestado com urgência, ou tenta clonar seu próprio WhatsApp para aplicar golpes nos seus contatos.
  • Estelionato sentimental ("romance scam"): O criminoso constrói um relacionamento afetivo falso online, geralmente se passando por uma pessoa atraente e bem-sucedida, para, depois de ganhar a confiança da vítima, pedir dinheiro para emergências falsas, viagens, problemas de saúde, etc.
  • Fraudes em vendas e compras pela internet: Falsos anúncios de produtos muito baratos para atrair compradores, exigindo pagamentos adiantados e nunca entregando a mercadoria. Ou golpistas que se passam por compradores, enviando comprovantes de depósito falsos.

Dicas Essenciais para Prevenir Fraudes e Se Manter Seguro

  • Desconfie de ofertas excessivamente vantajosas ou pedidos urgentes: A pressa e a promessa de lucros fáceis são as principais iscas dos golpistas. "Quando a esmola é demais, o santo desconfia."
  • Verifique sempre a identidade e a credibilidade de quem você interage: Antes de qualquer transação ou compartilhamento de dados, pesquise a pessoa ou empresa. Procure avaliações, referências e informações oficiais.
  • Nunca compartilhe dados pessoais, bancários ou senhas sem extrema cautela: Bancos e instituições sérias nunca pedem senhas ou dados sigilosos por telefone, e-mail ou WhatsApp. Mantenha suas informações confidenciais.
  • Atenção a links e anexos suspeitos em e-mails e mensagens: Não clique em links desconhecidos nem abra anexos de remetentes suspeitos. Verifique o endereço de e-mail completo do remetente e passe o mouse sobre os links para ver para onde eles realmente apontam (sem clicar).
  • Pesquise a fundo antes de fazer qualquer pagamento, transferência ou investimento: Para qualquer tipo de investimento ou compra de valor, certifique-se da legitimidade da oferta e da reputação da empresa. Se for uma compra online, use plataformas de pagamento seguras e com sistemas de proteção ao comprador.

6. Fui Vítima de Estelionato, E Agora? O Que Fazer?

Ser vítima de estelionato é uma situação dolorosa e frustrante, mas é crucial agir de forma rápida e assertiva. Se você se viu nessa situação, siga estes passos:

1. Registre um Boletim de Ocorrência (BO) Imediatamente

O registro do BO é o ponto de partida para a investigação criminal e para a manifestação de sua representação (necessária na maioria dos casos de estelionato). Vá a uma delegacia de polícia ou verifique se o seu estado permite o registro de ocorrências de estelionato online. Descreva o ocorrido com o máximo de detalhes possível, incluindo datas, horários, valores, nomes de envolvidos (se souber), e-mails, números de telefone, etc.

2. Contate Instituições Financeiras e Empresas Envolvidas

  • Bloqueio de cartões e contas: Se dados de cartões ou contas bancárias foram comprometidos, entre em contato imediatamente com seu banco para bloqueá-los e evitar novas fraudes.
  • Tentativas de estorno ou recuperação de valores: Informe ao seu banco sobre a fraude e pergunte sobre a possibilidade de estornar ou recuperar valores transferidos. Quanto mais rápido você agir, maiores as chances.
  • Comunicação com plataformas digitais: Se o golpe ocorreu em redes sociais, aplicativos de mensagens ou plataformas de vendas, denuncie o perfil ou o anúncio fraudulento à empresa responsável para que seja removido e outros não sejam vítimas.

3. Reúna Provas e Documentos

Junte tudo o que possa comprovar o golpe e auxiliar na investigação. Isso inclui:

  • Prints de conversas: Mensagens de WhatsApp, Telegram, e-mails, redes sociais.
  • Comprovantes de transações: Recibos de depósitos, transferências, PIX, extratos bancários.
  • Dados do golpista: Números de telefone, contas bancárias para as quais você transferiu dinheiro, nomes de perfis online, endereços de e-mail.
  • Qualquer outro documento relevante: Como anúncios falsos, falsas propostas de emprego, contratos fraudulentos, etc.

4. Busque Ajuda Jurídica Especializada

Um advogado especializado em direito criminal pode fazer toda a diferença. Ele poderá:

  • Orientar sobre os próximos passos: Explicar seus direitos e as melhores estratégias a seguir.
  • Assistência na representação: Garantir que sua manifestação de interesse em processar o criminoso seja feita corretamente.
  • Acompanhamento do inquérito e processo: Atuar para que a investigação avance, solicitando diligências e garantindo que suas provas sejam consideradas.
  • Possíveis ações cíveis: Além da esfera criminal, um advogado pode analisar a viabilidade de uma ação cível para buscar a reparação dos danos materiais e morais que você sofreu.

7. A Defesa no Crime de Estelionato: Estratégias Legais

Para aqueles que são acusados do crime de estelionato, uma defesa técnica e estratégica é fundamental para garantir o devido processo legal e buscar a melhor solução para o caso.

Foco na Ausência dos Elementos Constitutivos do Crime

A estratégia de defesa muitas vezes se concentra em contestar a presença de um ou mais dos quatro pilares essenciais para a configuração do estelionato. Por exemplo:

  • Ausência de fraude: Demonstrar que não houve artifício, ardil ou qualquer meio fraudulento utilizado para enganar a vítima.
  • Ausência de dolo: Provar que não havia a intenção prévia de enganar a vítima. O que pode ter acontecido foi um mero inadimplemento contratual ou um problema civil, sem a intenção criminosa.
  • Ausência de prejuízo: Argumentar que a vítima não sofreu efetivamente um prejuízo patrimonial.
  • Ausência de indução a erro: Mostrar que a vítima não foi enganada pela conduta do acusado, mas agiu por conta própria, ciente dos riscos, ou que o erro não foi causado pelo suposto estelionatário.

Ao demonstrar a ausência de um desses elementos, a defesa busca descaracterizar o crime de estelionato e, eventualmente, requerer a absolvição ou a reclassificação para um ilícito civil.

Reparação do Dano e Outras Possibilidades para Atenuar a Pena

Mesmo nos casos em que o estelionato é configurado, existem estratégias para buscar a atenuação da pena ou soluções alternativas:

  • Reparação integral do prejuízo: Se o acusado reparar integralmente o dano causado à vítima antes da sentença (especialmente em casos de pequeno valor), isso pode influenciar positivamente a decisão judicial, resultando em uma pena mais branda, substituição por medidas alternativas ou até mesmo a suspensão condicional do processo.
  • Acordos e negociações: Em algumas situações, podem ser negociados acordos com o Ministério Público (como o Acordo de Não Persecução Penal - ANPP), especialmente para réus primários e crimes sem violência ou grave ameaça, que podem evitar o processo criminal.
  • Defesa técnica qualificada: A atuação de um advogado experiente é crucial para analisar todas as nuances do caso, buscar provas que favoreçam o acusado, contestar as provas da acusação e apresentar os melhores argumentos jurídicos para proteger os direitos do réu.

Conclusão: Informação é a Melhor Ferramenta Contra a Fraude

O crime de estelionato é complexo e mutável, adaptando-se às novas tecnologias e contextos sociais. Entender suas nuances, desde a definição legal até as formas de prevenção e ação em caso de victimização, é um passo fundamental para proteger seu patrimônio e sua tranquilidade. A vigilância constante e a busca por informação são suas maiores aliadas. Não se torne mais uma estatística! Se você ou alguém que conhece foi vítima de estelionato ou precisa de orientação legal sobre o tema, não hesite em procurar auxílio profissional. Agir rapidamente e com o conhecimento certo faz toda a diferença.

Perguntas Frequentes

O que diferencia estelionato de uma dívida comum?
A principal diferença é a intenção (dolo). No estelionato, o criminoso age com a intenção premeditada de enganar para obter vantagem ilícita e causar prejuízo. Em uma dívida comum (inadimplemento civil), geralmente não há a intenção inicial de fraudar, mas sim uma incapacidade ou falha em cumprir uma obrigação contratual, sem o uso de artifício, ardil ou qualquer meio fraudulento para enganar a outra parte no momento da contratação.
Qual a pena para quem comete estelionato?
A pena base para o crime de estelionato simples é de reclusão de um a cinco anos e multa. No entanto, essa pena pode variar. Para o estelionato privilegiado (pequeno valor e réu primário), pode ser reduzida ou substituída por multa. Por outro lado, para o estelionato eletrônico, a pena é mais severa, de quatro a oito anos de reclusão e multa, e há aumentos de pena para crimes contra idosos, vulneráveis ou entidades públicas.
Fui vítima de um golpe online, o que devo fazer primeiro?
Se você foi vítima de um golpe online, o primeiro e mais importante passo é registrar um Boletim de Ocorrência (BO) o mais rápido possível. Isso pode ser feito presencialmente em uma delegacia ou, em muitos estados, online. Além disso, contate imediatamente as instituições financeiras envolvidas (seu banco, plataforma de pagamento, etc.) para tentar bloquear transferências ou reaver valores, e guarde todas as provas (prints de conversas, comprovantes, links, etc.).
É possível reaver o dinheiro perdido em um estelionato?
Sim, é possível, mas não há garantia. A recuperação do dinheiro depende de diversos fatores, como a rapidez com que você age, a capacidade das autoridades de identificar e localizar o criminoso, e se os valores ainda estão nas contas dos golpistas ou foram movimentados. Notificar imediatamente seu banco e registrar o BO são passos cruciais para aumentar as chances de reaver o prejuízo. Em alguns casos, ações cíveis podem ser necessárias.
Preciso de advogado para registrar um boletim de ocorrência de estelionato?
Não, você não precisa de um advogado para registrar um Boletim de Ocorrência (BO) de estelionato. O registro do BO é um direito de todo cidadão e pode ser feito diretamente na delegacia ou online. No entanto, é altamente recomendável buscar a orientação de um advogado especializado após o registro do BO, pois ele poderá auxiliar na representação formal, no acompanhamento da investigação, na coleta de provas e na busca por indenização pelos danos sofridos.

Fontes e Referências

Este artigo foi pesquisado e verificado usando as seguintes fontes oficiais:

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  27. jurishand.com
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